• O Estado do Amapá, infelizmente, ocupa um lugar de destaque no mapa da corrupção do Brasil. Isso se deve a grupos de poder pelo poder, aqueles que participam da política para enriquecimento pessoal, que se estabeleceram no estado e alcançaram prestígio em Brasília subsidiados justamente pelo dinheiro usurpado dos cofres públicos, o qual não apenas compra votos, mas também apoios que os liberam dos crimes e sufocam as investigações.
• Para entender o que hoje acontece no cenário federal e estadual vamos fazer uma retrospectiva de fatos envolvendo Waldez Góes e seu grupo político.
• Vamos, portanto, a narrativa de fatos que eram no início (2006) e continuam sendo (2021).
• Hoje farei apenas uma introdução do tema, que será aprofundado noutras matérias, pois tratam de delitos que continuam sendo praticados contra a vida do povo deste Estado. Neste domingo abordo os desvios de verbas do SUS, destinadas a salvar vidas. No site https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0504200711.htm da Folha de São Paulo, consta que um empresário entregou dinheiro, desviado do SUS, mais especificamente destinado a compra de medicamentos, para a campanha de Waldez de 2006.
• Os dois subtítulos da matéria acima referida, contém informações sobre os delitos, objeto da operação antídoto I, da Polícia Federal. No primeiro, consta expressamente que o empresário delator afirmou que “fraudou a venda de remédios para beneficiar o governador”. No segundo, que o “Esquema teria envolvido secretários de Waldez Góes e agentes públicos; empresa diz ter recebido R$ 1 milhão e dado R$ 600 mil de caixa 2” Portanto, mais uma resposta ao milagre da virada eleitoral obtida por Waldez em 2006.
• Em matéria datada de 07/08/2007, o Jornal de Brasília publicou em seu site https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/ministerio-publico-denuncia-24-pessoas-por-fraudes-e-desvio-de-medicamentos-no-amapa/ que “Segundo o MPF, as investigações constataram que vários empresários do setor de medicamentos haviam sido beneficiados pelo governo estadual nos anos de 2006 e 2007: o governo adquiria remédios dos denunciados sem realizar licitações públicas e os empresários não entregavam produtos comprados e pagos.
• Esses medicamentos e correlatos deveriam ser distribuídos a hospitais e postos de saúde, mas para mascarar a fraude, funcionários do órgão responsável pelo recebimento de medicamentos assinavam recibos falsos, com os quais os empresários cobravam os valores de mercadorias não entregues”.
• Eu ocupei entre 2006 e 2009 o cargo de Procurador Geral do Estado e tinha conhecimento de que a Secretaria de Saúde tinha sido “loteada” a um aliado político, que estava incomodando ao governador, que precisava se livrar desse “encosto”, como ele se referia ao ex-aliado.
• A questão entre os dois políticos se devia ao fato de que o então aliado indicava o nome para gerir a pasta, mas o governador não liberava a administração de fato, que ficava sempre subordinada aos seus fiéis escudeiros, os secretários de planejamento e da Fazenda, que liberavam o orçamentário e o financeiro, ou seja, que decidiam sobre qual fornecedor receberia, ou não, os pagamentos – devidos ou não. Há uma questão técnica sobre a exigência legal de participação do secretário de saúde nos pagamentos, mas ainda não estava implementada.
• Dias antes da operação antídoto, recebi ordens verbais do Governador para acompanhar a Secretária de Saúde em vistoria a Central de Abastecimento Farmacêutico do Amapá (CAF) que, segundo o Chefe do Executivo, estaria na mira da Polícia Federal. É ob…