A Ômicon traz uma série de reflexões para a humanidade. Em março de 2020 falava-se num mundo pós-covid. Um novo normal. Outros chegaram ao ponto de afirmar que a Pandemia seria um divisor de águas. A história seria dividida em dois tempos: antes e depois do Covid 19.
Depois de dois anos, percebemos que as milhares de mortes, seqüelas e quebras econômicas, não foram capazes de trazer aprendizado nenhum. O mal é banal porque é praticado por uma elite que pensa a vida a partir de suas zonas de conforto e que contribuíram para a alienação de direitos, cuidados e dignidade do maior bem, que é a vida.
A vida é relativizada e descartável. O bem maior é a liberdade e o trabalho. Numa sociedade aonde campeia a fome, a ignorância, o desemprego, saneamento básico e a total falta de respeito aos direitos fundamentais, o Covid foi usado como uma guerra entre Deus versus o capeta. Uma guerra religiosa e ideológica. O mal foi subestimado e ignorado. A noção da letalidade do vírus foi relativizada pelo sistema e por pessoas convencionais usando as Redes Sociais e a batalha de versões que se disseminou facilmente, porque foi desprovida de uma reflexão política, crítica e científica.
A Pandemia se estende e a variante ômicron nos alerta que o perigo persiste a deslocar o foco da solução, porque a luta pela vida, se transformou numa guerra de poder e sobrevivência de oligarquias e potências econômicas.
O que menos importou para o sistema foi o número de mortes. Mais do que vidas humanas, o importante era não quebrar a economia global. Há uma semelhança entre o colonialismo escravocrata brasileiro e o dilema pandêmico atual entre liberdade, vida, trabalho, religião e economia.
Não importa a chibata, o pelourinho, a morte. A produção tinha que continuar. Mesmo à custa de tanto sangue e suor. Deus e a economia sustentariam o regime escravocrata. Quem tinha que morrer, morreria. Quem tivesse que sobreviver, sobreviveria. Estávamos todos a mercê do ocaso do destino e da genética.
O que se viu pelo Brasil a fora foi um horror. Gritos, desesperos, medo, mortes, quebras do sistema e acima de tudo a falência dos valores e pilares da civilidade e da Democracia. Produzir e disseminar, sem qualquer pudor, o mal na ausência do mínimo necessário que garanta o direito à saúde é prezar pela morte, suportar que algumas vidas podem ser matáveis e ratificar que, assim, são desprovidas de sentido público e político. A banalização do mal e por consequência, da vida é fruto das paixões eivadas de sentido, valores e fé cristã.
O histórico da Pandemia de Covid-19 e a virulência da Ômicron evidencia um perturbador paradoxo quanto à forma como lidamos com a doença, a morte e a vida. A atual cepa nos lança para o caos, denuncia que ainda somos muito primitivos e ainda não sabemos lidar com liberdade, direitos, respeito e acima de tudo amor à vida. A vida perdeu o sentido. O que vale é não perder o poder.