É a partir dos sete manifestantes indiciados que a trama se desenvolve, denominados ‘’Quadrilha da Conspiração’’. Apesar de parecer um filme com uma premissa muito séria, ele é leve, sarcástico e instigante de se ver, em meio a um contexto tão explosivo sociopoliticamente, com o assassinato de Martin Luther King, John Kennedy e outros, o elenco brilhante consegue trazer uma série de questões graves e injustas à tona da forma mais concisa e pertinente possível.
O filme com certeza é a cara do Oscar, e um grande acerto da Netflix, com toda a sagacidade que um drama desse tipo requer, um roteiro completo, contextualização, tudo faz dele o tipo de trama que merece cinco estrelas. Caminhando tranquilamente entre humor ácido e comoção, com ritmo e fluidez, as duas horas de duração passam muito despercebidas. Isso tudo sem mencionar a série de mensagens poderosas que o conjunto traz ao espectador, tanto de cunho político quanto social e pessoal.
‘’Os 7 de Chicago’’ é uma surpresa inacreditável, e em tempos de eleição, é muito necessária.
Kadaver (Netflix)
Recentemente, a produção de filmes de terror tem sido revolucionada com o advento do post horror (pós-terror), um gênero mais sofisticado e inteligente de terror que se solta da premissa de um filme com foco em jumpscares e se atém ao ato de causar horror ou agonia em si. Os maiores exemplos disso são ‘’Um Lugar Silencioso’’ (2018) e ‘’Hereditário’’ (2018). O terror norueguês ‘’Kadaver’’ segue mais a linha de um pós-terror, entregando uma narrativa tão questionadora quanto aflitiva.
Ela gira em torno de uma família tentando sobreviver em meio a um cenário pós-apocalíptico de guerra, em meio a fome e a miséria. Um dia, a matriarca se depara com um homem anunciando uma peça teatral em um grande hotel, que começaria com um banquete. Seduzida pela ideia de alimentar e entreter a filha, ela decide comprar um ingresso. Porém, pouco tempo depois de chegar no local, sua filha desaparece, ela percebe que ele não é nada do que aparentava ser.
O ponto forte da história é a tensão que ela provoca, com detalhes que te fazem querer entender cada vez mais a respeito do que realmente acontece no hotel, aliado a um questionamento que por si só já desperta todo o egoísmo humano: É mesmo válido fazer de tudo para sobreviver?
Apesar de o final ser um pouco previsível, o filme consegue se manter um bom terror, e cumpre seu papel com todos os requintes.
Vivian Soares