Vamos considerar, apenas, o poder legislativo brasileiro atual, tomando-se o Senado Federal como exemplo.
Salvo algumas até discretas exceções, principalmente no caso dessa aberração chamada suplente, parte dos senadores vem de governos estaduais onde, em geral, passam até oito anos construindo cama para o merecido e, esplendidamente remunerado ócio no senado. Isso quer dizer que são homens já experientes e com os quais temos experiência, forjados na liça do dia a dia no executivo estadual. Onde adquiriram vícios gerados no exercício do mandato de governador e da palavra final no estado onde tudo pode. Desde nomeação de uma diretora de grupo escolar no interior, delegados de polícia, presidentes/diretores de estatais, juízes, desembargadores e secretários.
Competente, incompetente, honesto, desonesto, corrupto, inteligente, capadócio, ativo, passivo, lá vem ele, sempre cavalgando milhares/ões de votos obtidos de formas lícitas e ilícitas. Bem por isso, aí estão as muitas ações na justiça eleitoral contra eleitos acusados de uso ilegal de diferentes instrumentos eleitorais.
Ainda assim, nem todos chegam ao Senado. Mas, já veem com o caixa feito durante o mandato ou mandatos no executivo estadual. Outros buscam, em acordos com algum endinheirado, vendendo-lhe a vaga de suplente, com a cumplicidade da direção do partido a que pertencem, assegurando-se desse modo sua eleição e a da excrescência chamada suplente.
Lamentavelmente, o legislativo da república tornou-se habitação de tolerância. Deixam todos de notar os bons que ali estão, focando sempre na minoria, bem má, mas que lamentavelmente, nós e muitos também consentimos. Em decorrência, tudo termina se acomodando aos interesses de alguns de seus membros e não raro em favor de agregados, sócios, parceiros ou cúmplices das falcatruas que farta e diariamente, os jornais noticiam
Abandonaram o respeito pela coisa pública. Aliás, ninguém sabe mais identificar o que é e o que não é coisa pública. A promiscuidade tomou conta do caráter, da postura ética e do auto respeito que seria lícito esperar de representantes do povo, tornando se atualmente conhecidos como instrumentos de sustentação da pouca vergonha e da destruição das resistências morais do país. Não há o menor constrangimento por parte de muitos legisladores, câmara alta e baixa em exigir compensações. São mascates de gravata, defendendo interesses particulares espúrios em detrimento do negócio público que juraram defender. Detentores de um mandato que lhes foi outorgado pelo mesmo eleitorado que os elegeu e se tornou seu cúmplice, em seus respectivos estados.
Cada estado membro constitui um reinado e seu rei exerce poder totalitário. E, contribui para isso a vulnerabilidade em que se encontra o poder judiciário, tantas vezes envolvido em acusações de improbidade de vários de seus membros.
Chegou-se ao absurdo.
Aquele que subtrai de alguém algo que não lhe pertence é considerado ladrão.
Aqueles que em função de um mandato popular subtraem mundos e fundos dos cofres públicos, direta ou indiretamente, para si ou para seus familiares, amigos, testas de ferro, em nome de terceiros, de amante ou de firmas fantasmas, no Brasil são chamados pelo povo, de políticos, autoridades, deputado, senador, ministro, presidente, vereadores e até vice prefeitos, (quem diria), primeiro degrau na escola dos “afanásios”.
O país esteve ou ainda está inteiramente tomado pela falta de caráter de número expressivo de seus homens públicos. Veio aí a tal lei “ficha limpa”, adiantou pouco, e estão agora querendo acabar com ela, mas o que realmente teríamos que acabar é com nosso maldito complacente e conivente silêncio…