“Sarneyzinho do Maranhão” é apenas mais um na vasta multidão dos valentões que teimam em não aceitar o resultado das eleições presidenciais e se vingam produzindo um turbilhão de bravatas amadoras de violência, cujo alvo é o Ministro Alexandre de Moraes. Nesse conjunto subjetivo, há militares da ativa e da reserva, médicos, advogados, parlamentares, indígenas, negros, ex-desembargadores, juízes, jornalistas, enfim, todos com a mesma valentia do Mata Sete do sertão. A conduta desses protagonistas antidemocráticos se assemelha em tudo ao caos produzido pelo matuto do sertão, isto é, com uma falsa valentia, tentam espalhar o terror no grande engenho que é o Brasil. Todos sabemos de onde partiu a ideia de construir a figura do brasileiro avesso a cordialidade e aos bons costumes, contrariando a tese do grande Darcy Ribeiro. A sorte é que temos Alexandre de Moraes, nosso “inspetor Simeão, bicho macho pra brigar”, como na estória do cancioneiro.
O presidente eleito Luiz Inácio lula da Silva e seu futuro Ministro da Justiça, o sério e compenetrado Flávio Dino, tem a incumbência de corrigir esse desvio de comportamento democrático dessa meia dúzia de “Mata Sete”. O país tem de sair dessa selvageria comportamental, que em algumas vezes saiu da bravata e entrou no mundo das ações, como foi o caso de Curitiba, onde um petista aniversariante tombou morto pela pontaria política e covarde de um “patriota” aloprado. Um país caracterizado pela sua peculiar cordialidade não pode derivar para a barbárie, estimulado por lideranças que estão pegando o beco pela porta das eleições livres e democráticas.
Sucede que o país não pode depender somente das decisões judiciais do Ministro Alexandre de Moraes. É necessário que todos os órgãos de segurança pública, o Ministério Público e o Judiciário, em empenho conjunto, possam erradicar o fascismo que se escancara nas ruas e nas redes sociais e entra em recessos políticos e executivos. Todas as autoridades tem de se vestir da coragem e valentia do inspetor Simeão, afinal, os “Mata Sete”, como retratou o compositor, não são de nada. “Sarneyzinho do Maranhão” representa todos. Ao sentir o toque da algema caiu em choro e se disse arrependido. Como disse o poeta sertanejo: “O inspetor correu forte pra o engenho/Com todo seu empenho/Pra mata Sete pegar/O Mata Sete quando viu o inspetor/Falou fino, suspirou e/Desapareceu de lá”. Como seu viu, os “Mata Sete” falam fino diante do Inspetor Simeão. Tem de ter outros “inspetor Simeão”, além de Alexandre de Moraes.