Pior do que qualquer desgraça sempre foi o mensageiro que vem avisar que ela está vindo e chegando, mas não me considero assim. Avisei demais, disse demais, falei demais. Tudo o que aconteceu acima foi uma clara resposta à forma de ação de despreparados organismos federais na intenção de, como dizem fazer, “cumprir a lei”. Apresentaram-se mais como excelentes professores de criminosos incêndios, ações violentas, e o que é gravíssimo, humilhação extrema a massa de gente simples e que apenas estava trabalhando; exemplo disso, foi meio a inóspita floresta, queimar-se o caminhão de transporte e mandar que homens e mulheres dela saiam por 35km a pé, com seus bens agora diminuídos, nas costas. só para prevenir, existe o vídeo comprovando tais atitudes. É de se perguntar por que e para que isso?
Nada justifica toda essa violência de qualquer das partes.
Desvairo e risco de tais atitudes é grande, quem não devia está, mostrando aos povos amazônicos como ultrapassar limites e ultrapassar atitudes. A própria Carta Magna exige um comportamento específico para se fazer cumprir. Já imaginou neste país um juiz ou mesmo um ministro do Supremo reverberar contra um acusado, seja ele quem for? Não seria um magistrado, sim um maldito acusador; verdadeiros aprendizes de um francês Marat ou admirador de Robespierre, mostrando que não se precaveram com os estudos de história, procurando saber como terminaram esses senhores ao suprimirem as liberdades.
É importante que todos tenham em mente, NINGUÉM NA AMAZÔNIA CONVIVE COM INSEGURANÇA e isso deveria ser observado por toda e qualquer autoridade. O povo ocupante na Amazônia não é e nunca foi violento, desde que não os levem a extremos. Porém, a impressão que se tem exibida por armados executores legalistas, é que querem nos conduzir a uma nova Cabanagem.
Os próprios procuradores federais, abandonando o fiel exercício de fiscais das leis tem forçado costumes e tradições profissionais em uma terra e lugar onde não se deram o trabalho de conhecer, com gravame de levar também nossos juízes a serem envolvidos por açodamentos sentenciais que agridem o entendimento na arrumação social e sustento dos amazônidas. Nunca sequer buscaram imaginar que esses povos, como neste lugar só se pode fazer isto que eles fazem. Centenárias são suas atividades, por isso mais que porradas, deveria ser procurado à eles, atual saber e cultura.
O que eles sabem fazer é isto e para fazer nestas plagas são estas oportunidades únicas possíveis. Aqui não se atravessa rua e se tem um emprego logo a frente, ou nem mesmo um incauto cidadão para que eles possam assaltar. Se é essa a condição que a política nacional ao sul, deseja e quer que eles cheguem.
Chama atenção que sempre, de toda a repressão e longe das vistas e interesses das citadas autoridades, estão excluídas as grandes empresas que fazem lá suas também grandes misérias, sempre inatingíveis pelos rigores legalistas desses justiceiros. Da Hydra, Barcarena – PA, norueguesa, um desastre daquelas proporções e nada dito nem pelas sempre presentes ONGs deles. Da Mineração Tucano logo aqui no Amapá, que tem 54% de sua população abaixo da linha de pobreza, e decantadas vitórias ambientais, um famoso produto complicado, o mortal cianeto, se derrama pelo estado e nada acontece. Pelo menos eu não ouvi e nem vi as severas consequências dos rigores legais sobre essa tchurma. Todo mundo copiando o mau exemplo das Minas Gerais, onde a privatizada Vale do Rio Doce, hoje só Vale, estoura suas barragens em lavras ambiciosas e ninguém sequer foi admoestado ou respondeu criminalmente pelas mortes acontecidas.
Este nosso país, ou tem duas vertentes de aplicação ao desejo de cumprimento das leis ou se serve de prateleiras de interesses para atingir meios de punição a quem as esteja transgredindo, pelo que imaginam ser o conceito legal a ser levado em conta.
Reafirmo, ILEGAL NA AMAZÔNIA SÃO AS LEIS, arrumadas de formas tão diferentes que toda uma população com tradição, cultua e vive há séculos.
Por isso o meu reclamo, esses órgãos estão retornando nossa gente, em seus únicos meios de sustento, ao dom da violência que Deus permitiu aos homens. Novamente, como mensageiro dos infernos volto a sinalizar, uma anarquia social na Amazônia, uma vez estabelecida, torna-se de difícil retorno a pacífica conduta, como vem sendo há anos e anos.
A continuar, breve teremos uma explosão de ira que, para certeza de todos, será multi-racial. E será muito difícil de derrotá-los pela força.
Todos sempre VOLTAM e com o tempo como aliado, TORNAM-SE INVENCÍVEIS.