Ah, mas dizem os “intindidos” com mestrado da internet: você tomou vacina de sarampo, de varíola, “yellow fevers” (febre amarela) etc. etc. e nunca questionou a eficácia ou origem da vacina. Bem, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, já dizia uma filosofia de almanaque. Evidente que não se pode comparar uma doença de certa forma conhecida e de letalidade quase nula com uma doença como a Covid-19, ainda não conhecida e que embora de letalidade baixa em relação a outros males, tem causado temor na humanidade.
Ah, mas dizem os mais “intindidos”, estes com doutorado no Google: mas a vacina tal é feita pela Pfizer-BioNtech, Johnson & Johnson, Oxford-Astra-Zeneca, Moderna, Gamaleya (Sputnik V), Sinovac (Coronavac) etc.
Ou seja, usam de um tipo de falácia conhecido como “argumento de autoridade” utilizado pelo orador para convencer os ouvintes, tendo como base a autoridade de quem elaborou a frase ou raciocínio, para dar credibilidade à sua tese.
As falácias são classificadas segundo a forma de apelo do argumento, nas categorias de Emocionais, Mentais, Causa-Efeito, Dedutivas, Manipulação de Conteúdo e Ataque.
O “argumento de autoridade” está dentro do grupo de falácias mentais, que apelam para a emoção e valores que trazemos impregnados em nossas mentes, sendo as mais comuns as de Autoridade, Bom Senso, Tradição, Novidade e Dinheiro.
Vamos nos ater à “Falácia da Autoridade” que se abriga no renome dos laboratórios como argumento para convencer as eventuais cobaias a tomarem a vacina.
Os eruditos também a nominam de argumento “ad verecundiam”, a qual se caracteriza por empregar argumentos como: “especialista diz que”, ou “de acordo com cientistas”, ou “segundo estudo”, ou “a maioria das pessoas entrevistadas diz que” e coisas dessa natureza.
Buscam a “competência” de um grupo de especialistas, pessoa ou instituto famoso, uma universidade renomada ou uma publicação prestigiada.
Como por exemplo: A Anvisa homologou, ou o seríssimo e rígido FDA (a versão norte-americana da Anvisa) aprovou! Por favor, não me façam rir, porque a coisa é séria!
Assim, a falácia da autoridade blinda o argumento como se a homologação de um agente externo – e não os fatos em si – representasse uma certeza inviolável (Loiola, 2019).
Para esse autor, se o que se tem em prol do seu argumento é a opinião de “autoridades no assunto” e não há outra evidência concreta do acerto daquelas autoridades, então estão pedindo que você simplesmente “acredite” naquilo. Isto é, apelam para a credulidade, que é uma estratégia ingênua, frágil e pode ser desconstruída facilmente.
Quer ver?
Vocês se lembram do Citotec, medicamento para males do estômago? Pois bem, é um fortíssimo abortífero colateral.
Lembram-se da Talidomida, utilizada como sedativo, anti-inflamatório ou hipnótico? As gestantes que ingeriram esse medicamento tiveram bebês com focomelia, que é uma anomalia congênita que impede a formação normal de braços e pernas. Caracteriza-se pela aproximação ou encurtamento dos membros do feto, tornando-os semelhantes aos de uma foca. Por vezes os ossos longos estão ausentes e mãos e pés rudimentares se prendem ao tronco por ossos pequenos e de forma irregular.
Os bebês nascidos desta tragédia são chamados de “bebês da talidomida”, ou “geração talidomida”, vítimas da Talidomida, aprovada pelo FDA, Anvisa e os escambaus a quatro mundo afora.
Opa! Mas a Pfizer é a mesma fabricante do Citotec! Portanto, o argumento de “autoridade” (ah, a vacina da Covid é da Pfizer!) já caiu por terra!
A coisa piora se a bendita miraculosa for de laboratório chinês! Por motivos óbvios porque os produtos “xing-ling” já ficaram famosos no mercado pela má qualidade!
Bem, não quero incutir medo em ninguém e nem ser confundindo ideologicamente com “A” ou “B”, cada um faz o que bem entende.
E na hora do aperto, diante do medo da morte o pagão reza e chama todos os santos! E a gente se apega à primeira “tábua da salvação” que aparece. Tipo: se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. “É melhor do que nada”, não é mesmo?
Bem, uma das primeiras vacinas foi descoberta pelos chineses no século 10. Em 1796 Edward Jenner percebeu que a infecção relativamente leve de varíola bovina protegia contra a varíola. Ele testou sua teoria e suas descobertas foram publicadas dois anos depois e a palavra vacina — do latim “vacca” para vaca — foi cunhada.
As vacinas são consideradas uma das maiores conquistas médicas do mundo moderno, previnem quase 3 milhões de mortes a cada ano e 20 tipos doenças, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Mas elas devem ser rigorosamente testadas antes de serem colocadas no mercado, com exames primeiro em laboratórios e em animais antes de serem submetidas a testes clínicos envolvendo pessoas.
Em seguida, seguem para aprovação por agências reguladoras de saúde, como a Anvisa no Brasil, FDA nos EUA etc. Existem riscos como em todos os medicamentos, mas esses riscos são inferiores aos benefícios.
Bem, esses dias em momento de insônia recíproca, passei horas no WattsApp trocando ideias com uma amiga promotora, por quem nutro grande admiração pela sua sapiência. Além de bacharel em direito, a douta é psicóloga. É uma Linda pessoa, aquele tipo de pessoa “que sobra” dentro da Instituição e, como todas as pessoas dotadas de quociente cognitivo acima da média, não é compreendida e às vezes até hostilizada.
Chegamos a um consenso que a história da Covid-19 e a luta da humanidade para desenvolver em tempo recorde uma vacina a fim de livrar o “homo sapiens” da extinção não só pelos seus efeitos diretos, mas também pelas consequências indiretas causadas pela afetação da economia, é de certa forma em profundidade retratada nas etapas da série “The Walking Dead”, que conta a história de um pequeno grupo de sobreviventes em um mundo pós-apocalíptico cheio de mortos-vivos.
A série apresenta a excessiva jornada do grupo liderado por Rick Grimes, em busca de suprimentos e refúgios seguros. Os sobreviventes têm que lidar com dilemas morais, sentimentos confusos e desafios do dia-a-dia em um mundo hostil e praticamente dominado por mortos-vivos.
Em suma, conta a invasão de algumas populações das cidades americanas por um vírus que levou a dizimar a maioria e a contaminar a todos.
A doença trouxe como resultado a mutação em zumbis após a morte, mas a miséria em todos os sentidos é o que nos chama a atenção.
De repente, veem-se grupos de pessoas amedrontados e famintos. Verdadeiros saqueadores, ladrões, assassinos, crianças sem infância, as quais têm como aprendizado a violência sistematizada pela nova forma de viver.
E os governantes? E a Lei? A ordem, a organização para a sobrevivência se revela no aspecto tribal.
Embora até a última temporada o seriado não trate de forma objetiva sobre o despreparo dos governantes, até porque quase todos sucumbem, os sobreviventes com a nova forma de vida mostram que o mundo não está preparado para essas eventuais catástrofes.
Pois, o que é mito virá real. De repente, aqui no nosso planetinha azul chamado Terra tudo fica para trás, poder, dinheiro, orgulho etc.
Viva a ciência! Está na hora do Governo despertar e investir nos cientistas, com eles podem estar as respostas para o salvamento da humanidade no futuro…
Ou será que vamos nos transformar todos em zumbis “walking deads” (mortos vivos em inglês) ou em jacarés tupiniquinis?
É amigo, vaca é vaca! E jacaré é um bicho com a boca cheia de dentes!
Adilson Garcia
Professor, doutor em Direito pela PUC–SP, advogado e promotor de justiça aposentado.