Roraima sempre Roraima. A curiosidade fica maior pela excepcional falta de cultura na aplicação de direitos a tais povos e verdadeira maluquice administrativa em um país admirável como o nosso. Parece mesmo que jamais vamos conseguir nos tornar uma só nação.
Quanto aos propalados Yanomami, área pouco maior que Portugal, embora digam mentirosos números de habitantes, não há uma cuida oficial para saber quantos são e nem que tribo é essa. Esquece que lá em conjunto estão os índios Yanan que são inclusive de outra etnia, Caribee. Eles próprios, Yanomami são egressos do Orinoco de onde fugiram a escravidão espanhola para exercício da agricultura.
Engraçado que ninguém dá conta que de repente conjuntos indígenas que eram ditos como tribos, passaram a ser chamados de comunidades. E esse termo, bem comuna, nunca foi designação brasileira.
Ainda em Roraima, os vizinhos, Macuxis, que graciosamente receberam a integração da Raposa Serra do Sol, feito e executado por nosso Supremo Tribunal Federal, baseado em tradicionalidade ocupacional, sequer são brasileiros. São também de origem Caribee e por aqui chegaram já no século IXX, praticamente um ano antes da chegada de Dom João VI a nosso país.
Antecedendo a vinda deles para nosso país, logo após a independência da Venezuela Simon Bolivar, tal como Marquês de Pombal fizera no Brasil, expulsou seus protetores, padres da ordem Jesuíta. Ao perderem esta cobertura se mandaram para o lado de cá buscando ocupar uma área como Fazenda São Marcos. Nem precisa se dizer que tais áreas já eram tradicionalmente ocupadas por tribo local, os Uapixanas, o que culminou em tragédia para estes últimos tais movimentos que levaram a acontecer o maior genocídio de índio por índio ultrapassando a casa absurda de 3 mil mortos. Alguns dizem ter chegado a 5 mil. E gente daqui que ninguém socorreu e nem foi em ajuda.
Em tempos atuais quando o STF anunciava a criação da reserva Raposa-Serra todos os dados indicavam que metade dos índios a desejavam, estes Macuxis e a outra metade, Uapixana, definitivamente não desejavam essa convivência. Embora tenha aparecido naquele plenário uma senhora de origem indígena Uapixana que contrariando a sua gente e a própria história tenha lá defendido a decisão da unificação.
Notável que tenho para mim, mesmo sem possuir um diploma de advogado que jamais isso poderia ser feito baseado em ocupação tradicional. Ainda mais pelo Supremo. Se observado os arquivos daquele poder, lá encontrariam uma decisão plenária da década de 50 em favor do proprietário da fazenda Guanabara no Boqueirão da Lua, também parte integrante da Serra-Raposa que reconhecia lá não ser área indígena. Transitado em julgado por aquela corte eu inocentemente acreditava que seria necessário descobrir o Brasil de novo para deixar de existir a decisão anterior.
Mais ainda, se consultado os cartórios de registro de imóveis na capital de Boa Vista, lá encontrariam uma escritura pública também daquela década de doação de 2.500 hectares para alguns índios Macuxis irem para aquela região fronteiriça conhecida como Suapi para trabalhar com o proprietário doador, na extração de diamantes.
Interessante que nossos administradores procuram no presente, sem mais se importar com o que no passado se construiu.
O absurdo foi maior quanto a ocupação de índios do exterior em Roraima, atitude pública tomada por um famoso padre da ordem da Consolata que se dedicava a tráfico de vulneráveis. Tivemos nós a oportunidade de questioná-lo por essas ações ao que como resposta nos disse: “Senhores, índio não tem nacionalidade. Lá ou cá, eles são índios”.
A verdadeira intenção deste padre conhecido como Giorgio Dalbene nunca interessou muito as autoridades brasileiras nem para reprimir ou mesmo puni-lo. Esse cidadão italiano achando pouca a ocupação Macuxi, buscava na vizinha Guiana Inglesa ainda à época, famílias e mais famílias também Macuxis para ocupação de nosso território. Já tinha ele procedido a desagregação daqueles próprios índios que sempre mantinham em malocas de dez a quinze famílias com sessenta a noventa pessoas. Ele dividia o agrupamento dessas malocas passando a criar outras para ocupar mais espaço e como isso numericamente não atendia seus propósitos buscou importar aqueles índios guianenses cuja língua era inglês.
Vamos lembrar aqui, embora hoje eu não saiba quantos existem, mas naquela ocasião a ordem Consolata possuía em Roraima mais de 15 mil rezes de gado que usavam como atração e manutenção daquelas comunidades.
Curioso é que isso tudo é público em Roraima, dados e processos estão em cartórios e com seus registros. É de se perguntar essas decisões do passado eram de um país diferente e perderam legitimidade neste país de agora? Os centenários inimigos de ontem por determinação de hoje ficam obrigados a conviver numa mesma área? Comunidades, como hoje chamam, vindas do exterior também recebem a benesse de tradicionais?
Tenho para mim que meus bisavós, que conviveram com estes acontecimentos, de lá onde estão, não estão nada satisfeitos com o estabelecimento dessas novidades.
Atualmente foi criado um novo órgão de planejamento e estudo para Amazônia, mas parece que ele também está mais preocupado com a diplomacia, governos e ONGs do exterior do que com nossa história e nossa gente.
Penso mesmo que este negócio de democracia no Brasil não funciona bem, o diacho é que as escolhas nunca caem pela qualidade, mas sim pelos enganosos sorrisos da desqualificada simpatia.