Em sua maioria os políticos são culpados pela situação em que ficamos nesses últimos dias, tanto os atuais quanto os que passaram por algum cargo eletivo desde antes da criação de nosso Estado. Sejam eles na esfera municipal, estadual ou federal.
Se nossos políticos fossem bons pode ter certeza que não passaríamos pelo apagão dos últimos 4 dias e meio, muito pelo contrário, teríamos fornecimento de energia elétrica regular e estável como algo normal de nosso cotidiano (afinal quem não sabe quantas vezes por semana falta energia em nossas casas durante uma manhã, tarde ou noite?).
Antes da falar do apagão em si, temos a demonstração mais uma vez da inoperância na Companhia de Água e Esgoto do Amapá-CAESA, a qual em virtude da falta de energia deixou por mais de 30 horas a capital do estado sem fornecimento de água.
Restou evidente que a empresa pública tucuju não possui um gerador sequer para manter seus equipamentos funcionando quando não se tem energia elétrica. E depois de mais de um dia, o fornecimento é inconstante, com faltas durante períodos do dia e com a pressão baixa, mal subindo em torneiras e em alguns bairros da cidade a água encanada permaneceu ausente durante todo o apagão.
Este apagão é consequência de décadas de descaso com a coisa pública, de corrupção e de administração meia boca somente para dizer que se tem energia, água encanada e outros serviços públicos no Amapá (o sistema de esgoto é inexistente em mais de 90% dos lares amapaenses, chupa essa manga!).
De nada adiantou nossa crise energética ocorrida em 1993 quando tivemos por várias semanas racionamento de energia elétrica de 3 em 3 horas, também envolvendo bairros da capital Macapá e todos os municípios do Estado, para pararem de roubar e passarem a administrar em prol de todo o povo. Naquela época foram comprados 5 geradores russos, fizeram uma festa, desfilaram com os equipamentos pela capital como se fosse a maior vitória política de nosso incipiente Estado. Passada a crise energética em definitivo esses equipamentos simplesmente sumiram (estórias se ouvem de que foram para a fazenda de um político, para a empresa de um amigo de um político, mas nada comprovado, apenas estórias à boca miúda do povo).
Vivemos uma crise econômica que se arrasta desde 2015 e a nesse ano de 2020 tivemos a pandemia do novo corona vírus, mas todas estas tragédias foram insuficientes para que nossos políticos tomassem jeito e passassem a olhar para o povo.
É o tempo todo os políticos dando prova de que estão se lixando para a população, o que importa mesmo é enganar o povo com uns trocados enquanto eles se esbaldam com dinheiro na cueca e em maletas de couro.
Os nossos políticos tucujus correram para resolver o problema da energia não porque se preocupam com o povão, mas porque temos uma eleição que está batendo à nossa porta. Se dependesse deles, com suas casas guarnecidas por geradores de energia e uma boa parcela de puxa-sacos para lhes providenciar de tudo o que seus familiares precisam, não resolveriam nada, afinal nada lhes falta como o que faltou para a população carente.
Cada negociata a portas fechadas e cada esquema de corrupção foi responsável pela perda de todo o estoque de leite materno do banco de leite da Maternidade Mãe Luzia, pela perda do estoque de sangue do HEMOAP, pelos inúmeros alimentos estragados nas geladeiras e freezers das famílias, de todos os produtos que estragaram nas geladeiras dos comerciantes, por todas as pessoas e famílias que foram furtadas pela falta de segurança durante esse período, além de toda e qualquer mazela que possa ter ocorrido em decorrência do apagão.
Desculpe, mas se você defende esses políticos canalhas, você é tão canalha quanto eles. Esses políticos conseguem ser mais podres que os alimentos estragados por toda a cidade em virtude da falta de energia elétrica por quase 4 dias inteiros.
E a canalhice não é só na defesa do ocorrido agora, mas também ao bater palmas para a inauguração de um “laboratório de informática” de uma escola com computadores e demais materiais de informática pertencentes a outros órgãos da Administração Pública, para inauguração de semáforo (bem ao estilo de Sucupira), para “puxadinho” provisório que passa a ser o mesmo depois de 5 anos, para inauguração de um prédio público ou hospital sem estar pronto, mas por estar perto de período eleitoral, dentre outras pérolas de nossos políticos tupiniquins.
Os políticos envolvidos deveriam era pedir perdão e, sim, tomarem vergonha em suas caras e saírem da vida pública para dar um pouco de esperança de dias melhores para o povo. Mas infelizmente isso não irá ocorrer porque nossos políticos também não possuem sentimento de culpa, enquanto puderem sair jogando a culpa para os outros, está tudo bem.
O agradecimento deve ser para quem realmente gasta energia e esforço, para aqueles que suam literalmente a camisa na execução de um serviço, mesmo simples, buscando a solução do problema gerado pelos nossos políticos. E antes dos defensores dos seus políticos de estimação culparem a chuva pelo apagão no Estado do Amapá, é importante lembrar que centenas de anos antes da chegada de Cabral ao Brasil na região norte, mais especificamente na foz do rio Amazonas, englobando o Estado do Amapá e parte do Estado do Pará, as chuvas e tempestades são comuns, devendo todo e qualquer planejamento de infraestrutura levar em consideração nossa realidade climática, isso é o básico.
Devemos agradecer a cada trabalhador, servidor público concursado e militar envolvido em todo o esforço para o reestabelecimento, ainda que de forma parcial, da energia elétrica no Estado do Amapá. Esses sim merecem nossos aplausos hoje e quando o problema for resolvido definitivamente.
No Estado do Amapá, assim como no Brasil, não existe plano B, somente existe o plano A, o qual se restringe a roubar, roubar, roubar e roubar, se der, administrar com a sobra e de forma a dar aparência, ares de funcionamento da Administração Pública. O resto, empurra-se com a barriga porque na próxima eleição terão dinheiro para novamente comprar o voto por uma carrada de areia, um milheiro de tijolo, um milheiro de telhas, uma bomba d’água, 200 ou 300 reais, um cargo comissionado, um contrato administrativo e por aí vai.
E os políticos? Ah, não se espantem! Esses já prepararam e estão preparando os próximos descasos com a coisa pública que serão esfregados em nossas caras no futuro.
Evandro Salvador Junior
Advogado, conselheiro da OAB/AP de 2010 a 2012 e diretor tesoureiro da OAB/AP de 2013 a 2015