Como sabemos, cemitério, necrópole ou sepulcrário é o lugar onde são sepultados os cadáveres e também são lugares de prática religiosa.
Curiosamente, nos tempos passados, sem as técnicas modernas de constatação da morte, para evitar enterrar alguém vivo por engano, amarrava-se um barbante no pulso do defunto ligado a uma sineta. Se os coveiros ouvissem o badalo, salvariam o “morto”, derivando aí a expressão popular “salvo pelo gongo”. Kkk.
Costuma-se chamar analogicamente cemitério um lugar onde se enterram ou acumulam produtos, tipicamente resíduos e detritos.
A palavra cemitério, do termo latino tardio “coemeterium”, significa “poôr a jazer” ou “fazer deitar”.
Os ritos funerários são cumpridos de acordo com a respectiva religião (católica, protestante, judaica, islâmica, budista etc.) ou fraternidade (maçônica).
Pelo viés jurídico, o direito brasileiro garante o “jus sepulchri”, que é o direito de sepultar, ser sepultado e permanecer sepulto, nada mais que um dever moral, respeito ao luto e aos mortos; e um dever social, pois o sepultamento além de ser um ato higiênico, afirma e identifica o significado do falecido para a família e para a sociedade.
E cada cultura tem um modo de ver a vida e também de se relacionar com a morte. As “comemorações” são feitas de maneiras diferentes. A despedida de alguém amado também passa pela tradição de cada povo.
Pois bem, reverenciar entes queridos depois da morte é tradição de várias religiões, isto é, a reverência, lembrança ou sentimento a quem não está mais entre nós.
Visitar os cemitérios para deixar flores ou acender velas por seus mortos é o mais praticado no catolicismo. Para o catolicismo a morte não é o fim, mas a esperança de uma vida futura, baseada na ressurreição de Jesus. Os católicos visitam as sepulturas e planejam o ato com a preparação destes espaços. Rezar, acender velas e realizar a missa é o mais comum para que os falecidos tenham seus pecados aliviados.
Nas congregações evangélicas não há o hábito de ir ao cemitério, acender velas ou fazer interseções. A forma de cultuar o falecido é lembrar como a pessoa foi em vida e todo dia é dia de lembrar o ente.
Nas religiões afro-brasileiras, não há crença na reencarnação, mas a ideia de passagem para outro plano, uma volta às origens ancestrais na mãe África. No culto fazem ritual de louvação onde a força denominada “axé” é renovada.
A congregação Seicho-No-Ie acredita na vida eterna e não há morte, pois a matéria – o corpo em si – não existe, há um espírito eterno, indestrutível e imortal. Cultuam os antepassados da árvore genealógica (família) na sede e não oram nas sepulturas porque não há nada ali na crença, mas cuidam das sepulturas por um ato de gratidão aos que por aqui passaram.
O judaísmo não comemora o finados e fica somente a lembrança dos que morreram. Os judeus vão ao cemitério uma vez ao ano, próximo do ano novo judaico para depositar pedras nos túmulos, pois para eles pedras não murcham como as flores.
Os espíritas creem que após a morte do corpo físico, o espírito se liberta, tornando-se verdadeiramente vivo. A religião prega as orações para os desencarnados em qualquer dia do ano.
No Budismo, quem morre no mundo material, nasce para o mundo espiritual. Os budistas levam aos túmulos dos antepassados incensos, frutas e flores. No enterro repete-se um ritual do velório: oferendas de alimento às divindades em sinal de desapego. Os budistas costumam cremar os mortos, mas quando há enterro o caixão não estampa a cruz.
No Paraná, a presença nipônica é muito forte. E eles têm um profundo respeito pelos mortos, realizam missas do 7º ao 49º dia após o falecimento, depois no 100º dia e a do primeiro ano do falecimento. Após os japoneses realizam as missas de 3, 7, 13, 17, 23, 27, 33 e a última de 50 anos de falecimento. Após 50 anos, acredita-se que o espírito do falecido perde sua individualidade e se funde com os espíritos de seus ancestrais em outro plano.
Em casa, os nipônicos têm o butsudan (altar doméstico budista) e após o falecimento a pessoa deixa de ter o nome que usava em vida e recebe um nome póstumo, pelo qual passará a ser chamada no outro mundo. Esse nome é escrito num ihai, uma plaqueta de madeira que representa a alma da pessoa falecida e junto com uma foto permanecem no butsudan. Todos os dias ao acordar, os familiares dirigem-se ao altar para orar pelos mortos.
E nesse tempo todo, por tradição oriental, levam a comida preferida do falecido no túmulo no cemitério. E não raro, depositam uma bolseta com moedas para o espírito do falecido pagar a passagem do barco para a viagem de travessia.
Bem, feitas essas considerações, vamos falar do piquenique no cemitério?
Piquenique é um passeio a céu aberto no campo ou na praia, onde cada um leva um tipo de refeição para compartilhar com os demais, alimentando-se em contato com a natureza.
Fazer piquenique no cemitério parece estranho, coisa de tribos de cultuam coisas tétricas ou esótéricas. Em Okinawa, no Japão, há o shiimii, um divertido piquenique em frente aos túmulos, evento celebrado no mês de abril (que corresponde ao mês de março no calendário lunar). Ou maluquices das brabas… rss.
Mas não é o caso meu e dos meus primos e amigos de infância. Nós éramos absolutamente normais, fora nossas traquinagens de moleques como em qualquer parte do planeta.
Meu primo Paulo, epíteto Gordo, acho que era gordo de tanto piquenique, morava em frente ao cemitério. E sempre que havia enterro com o pessoal de zoinho puxado, corria avisar a mim e a turma. Assim que acabava o sepultamento, íamos ao túmulo do japa.
Era um piquenique e tanto! Bolinho de yaki manju com recheio de doce de feijão, refrigerante, sucos, tortas, paçoquinha, sashimi, yakisoba, temaky, sukyaki etc…
Então, não precisa perguntar por que hoje eu aprecio uma japanese food… kkkk.
Rapaz, uma certa feita enterraram um japonês pau d’água cachaceiro viciado em jogatinas. Ficamos de olho no fim da despedida fúnebre. Quando lá chegamos, tinha sakê, run, coca-cola e uma tal de biiru, que é uma cerveja estranha. Não conseguimos beber o sakê, que é uma pinga feita de arroz e nem a cerveja, amarga demais.
Porém, misturamos o run com a coca e foi o primeiro porre da nossa vida, de Cuba Libre, enquanto jogávamos pif-paf com os baralhos novinhos do defunto. Kkk.
Eu e o primo Gordo chegamos em casa arrastando o primo Shinik pela ponta dos pés.
Olhei para minha mãe e a vi em dobro. E também vi a cinta do meu pai em dobro no meu lombo! Kkkk.
Pior foi da vez que sepultaram um japonês noiado!
Por cima do túmulo tinha uns cigarrinhos enrolados à mão, com uma erva esverdeada. Tinha um cheirinho de goiaba podre seca… Pitamos!
Bem, não vou contar o resto porque hoje está em voga o patrulhamento ideológico e daqui a pouco vão me enquadrar na apologia ao crime…. kkk.