Na correria da vida moderna, muitas pessoas depositam suas esperanças e expectativas nos outros, seja esperando reconhecimento no trabalho, atenção de amigos ou o carinho de um parceiro. É comum que boa parte de nossas expectativas seja construída em torno das atitudes alheias. A frase do escritor argentino Jorge Luís Borges – “Então plante seus próprios jardins e decore sua própria alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores” – é um convite poderoso para a autorresponsabilidade e para o cultivo do nosso próprio bem-estar. Ela nos lembra que, em vez de dependermos das ações de outros para florescermos, devemos ser os próprios jardineiros de nossas vidas.
Essa metáfora de Borges sobre “plantar seu próprio jardim” revela uma verdade essencial sobre a maneira como gerimos nossas expectativas. É natural que, desde a infância, sejamos condicionados a buscar validação e satisfação em fontes externas. Pais, professores e amigos desempenham um papel crucial em nossa formação e, com o tempo, essa necessidade de reconhecimento se estende a colegas de trabalho, parceiros românticos e à sociedade em geral. O problema surge quando essas expectativas não são atendidas, o que inevitavelmente leva à frustração, mágoa e decepção. De acordo com especialistas em psicologia, um dos principais problemas em colocar a felicidade nas mãos dos outros é a falta de controle sobre as reações e comportamentos alheios. Ao depender de algo externo para nos sentirmos realizados ou completos, estamos à mercê de fatores que não podemos governar.
Borges nos sugere, então, que voltemos o olhar para dentro. Plantar nossos próprios jardins significa encontrar fontes internas de satisfação e alegria. Trata-se de cultivar habilidades emocionais, como resiliência, autossuficiência e gratidão que nos permitam enfrentar as adversidades da vida com mais tranquilidade. Decorar nossa própria alma implica em nutrir nossos valores, nossas paixões e nosso crescimento pessoal, em vez de depender de outros para nos completarem. Mais do que nunca, a mensagem de Borges é relevante. Aprender a encontrar valor em si mesmo sem esperar que o mundo traga flores, é essencial para viver de forma plena e autêntica.
Assim, a metáfora do jardim pessoal não é apenas poética, mas também uma poderosa ferramenta de autoconhecimento. Ao sermos responsáveis por nossas próprias emoções e por nossa própria felicidade, libertamo-nos da constante ansiedade de tentar controlar o incontrolável. Isso não significa que devemos nos fechar para os outros ou deixar de esperar coisas boas de nossos relacionamentos, mas sim que devemos garantir que a base de nosso bem-estar esteja solidamente enraizada em nós mesmos. Portanto, ao plantar nossos próprios jardins, garantimos que nossas expectativas estejam alinhadas com aquilo que podemos oferecer a nós mesmos. E, quando as flores vierem, serão uma consequência natural de nosso trabalho interior e não um presente esperado dos outros.
Plantar seus próprios jardins: A lição de Jorge Luís Borges
