Fazê-los infinitos, mas fazê-los,
todos infindos que eu cá por tê-los
Quisesse nada nos meus poucos planos!
De tal maneira, que vivendo os tais
eu não sentisse o tempo derretê-los
e apesar da graça de vivê-los,
que me bastasse tê-los, nada mais…
E que eu amasse e, que me amasse assim
A cada amante sob os meus zelos
que porventura, para merecê-los,
também seus zelos dariam a mim!
Ah, se eu pudesse prolongar meus dias
fazê-los infinitos, convencê-los
de que se a noite ousa a escurecê-los
foi que no fundo as mesmas são vazias…
Porém, o alívio dessas suas fugas
mais sempre a mão que vai envelhecê-los:
Homens cansados, se morrerem velhos…
Homens sulcados de infinitas rugas!
…talvez, lembrá-los sempre e a cada hora
homens com barbas de infinitos pelos,
moças com ancas de possíveis zelos
se a noite finda, o dia comemora!
Ah, se o tempo essa verruga atroz
aos nossos olhos, barbas e cabelos,
cansasse, como nós aos seus desvelos,
cansasse como cansa todos nós…