O síndico Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, que confessou ter matado a corretora Daiane Alves Souza, de 43, costumava desligar o padrão de energia do prédio em situações de conflito para impor a própria vontade, segundo relataram testemunhas à Polícia Civil de Goiás.
Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, o delegado André Luiz Barbosa, do Grupo de Investigação de Homicídios de Caldas Novas (GIH) e responsável pela coordenação da força-tarefa, citou um episódio anterior em que Cléber, após ser impedido de participar de uma reunião condominial, teria desligado a energia do edifício para impedir que o encontro ocorresse. Testemunhos confirmaram que o recurso já havia sido utilizado em outras ocasiões.
No dia do desaparecimento de Daiane, em 17 de dezembro do ano passado, o desligamento do padrão de energia voltou a acontecer. “Conseguimos, por meio de testemunhas, identificar que ele já tinha utilizado esse artifício antes. Isso foi importante para demonstrar um padrão de comportamento.”
Síndico confessou assassinato
Cléber confessou à Polícia Civil, nessa quarta-feira (28/1), o assassinato da corretora, desaparecida desde dezembro do ano passado em Caldas Novas, Goiás. Segundo a investigação, foi ele quem levou os policiais até uma área de mata onde o corpo da vítima havia sido deixado. No local, o cadáver foi encontrado em estágio avançado de decomposição.
O síndico foi preso, investigado por homicídio. O filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de participação no crime. Ao chegar à delegacia, Cléber afirmou que o filho “não fez nada”.
O porteiro do condomínio onde Daiane morava e trabalhava cuidando de apartamentos da família foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil apura o grau de envolvimento de cada pessoa no caso.
O dia do crime
Em depoimento, Cléber afirmou que matou Daiane após uma discussão no subsolo do prédio, no mesmo dia do desaparecimento. Ele disse que agiu sozinho e que, depois do crime, colocou o corpo na carroceria de sua picape e deixou o condomínio.
A versão apresentada contradiz o primeiro depoimento do síndico. Inicialmente, ele afirmou que não havia saído do prédio naquela noite. No entanto, imagens de câmeras de segurança já analisadas pela polícia mostram Cléber deixando o condomínio por volta das 20h do dia 17 de dezembro, dirigindo o veículo citado.
Daiane desapareceu após descer ao subsolo do edifício para verificar uma queda de energia em seu apartamento. Câmeras registraram a corretora entrando no elevador e conversando com o porteiro sobre o problema. Em seguida, há um intervalo de cerca de dois minutos nas gravações, justamente quando ela retorna ao subsolo. Não há imagens que mostrem a vítima saindo do prédio ou voltando para casa.
Outro ponto considerado relevante pela investigação é que Daiane costumava gravar vídeos com o celular durante seus deslocamentos e enviá-los a uma amiga. Um desses registros, feito no subsolo, nunca foi entregue. No dia do desaparecimento, a corretora vestia roupas simples, deixou a porta do apartamento destrancada e não levou pertences pessoais.
Ela tinha viagem marcada para Uberlândia (MG) no período do Natal, mas não embarcou nem manteve contato com familiares após aquela manhã. Após semanas sem qualquer sinal de vida, o caso passou a ser tratado como homicídio.
As prisões ocorreram após oitivas, análises técnicas e cruzamento de dados realizados por uma força-tarefa da Polícia Civil.
Fonte: Metrópoles

