Recordar não é viver, não mais. Fatos históricos deixaram de sê-lo e passaram a contextualizar o vocábulo “desinformação”, o que representa, como ensina uma Corte Máxima, fatos verdadeiros que levam a conclusões falsas. Até onde lembro, o subjetivismo sempre foi corolário do individualismo humano. Impor conclusão, independente do fato, sangra qualquer Estado Democrático de Direito.
Lá por meados da década de cinquenta, dos anos mil e novecentos, tínhamos justificada disputa político-ideológica, que recebeu um nome gelado, posto seus opositores não confrontarem diretamente. Dela, herdamos o fortalecimento e a “simpatia” a traços da social-democracia avermelhada, gerida por nossos Chefes de Estado. De fato, nenhum eleito ficou indiferente.
Essa Pátria, contudo, por Deus abençoada, outrora, de joelhos, reergue-se, dia após dia, culminando em súplicas e manifestações populares, nos últimos tempos. Os noticiários, dominantes, tiveram sua credibilidade subtraída pela veracidade dos ocorridos. As instituições e as autoridades públicas, raras vezes, foram tão questionadas. Ao que parece, o Aurélio não acompanhou a modernidade dos novos pronomes e conotações apregoadas.
A arma secreta da glacial guerra que reorganizou a ordem mundial, hoje, de secreta não tem nada. Está tudo sob controle dos inatingíveis pensadores e condutores da nossa democracia: um time de onze. Agora, com certo desfalque, que procuram sanar em breve. O ordenamento jurídico e nossa sobrevivência estão sob sua guarida, há boas décadas. E o ápice chegou. Quem aguenta fica, quem não aguenta, pede saída.
São muitas mudanças havidas, em um século, na forma de conduzir a sociedade e a economia brasileiras, deixando pouco ou nenhum espaço à divergência, à discussão de ideias, à democracia. A quem não acredite no funil que vem por aí, o problema é que a conta chega para todos.
E por falar em conta, também, houve proibição de disseminar fatos sobre endividamento brasileiro, pedaladas e operações policiais federais, cujo nome lembra lavar avião. É completamente compreensível que de tudo se lance mão, no intuito de evitar a perda de controle político, tão arraigada em nosso chão verde e amarelo. Todavia, beira o desespero. Não pega bem a nenhum togado, inclusive macula a nobreza da profissão de grandes brasileiros, que, incansavelmente, no piso de seu labor singular, equilibram a balança da Justiça.
Salvem-nos os anjos, os santos, as entidades ou as energias superiores de luz e conduzam-nos a longo distanciamento de um Estado Ditatorial de Direito, leia-se República Democrática, implantada em outros países, que passaram por tais “revoluções”.
Revoluções essas que, prometendo crescimento econômico, melhoria nos índices sociais e consequente redução da miséria, repetem discursos originários da polarização mundial e seduzem os adeptos, inicialmente, para, enfim, saquearem seus sonhos.
Mais próxima do que sempre a história mundial está de nossa intimidade diária. A revolução chinesa, a guerra da Coréia, a questão dos mísseis em Cuba, as guerras do Vietnã e do Afeganistão, os pactos e planos econômicos mundiais, todos precederam nossa caminhada até aqui. Disputas por zonas de influência comunista ou capitalista não foram apenas coisas de banco de escola, fadadas ao esquecimento.
Os países sob domínio ou coordenação de governos alinhados à, então, União Soviética, à China ou à Cuba, sem dúvida, expressam resultados muito aquém às promessas teóricas daqueles regimes. O museu nos informa e nos forma seres melhores: o passado daquelas nações se opõe ao presente. Eram ricas de recursos naturais, prósperas e pujantes, nem há tanto tempo assim. A quem os nacionais entregaram tanta sorte?
De tempos em tempos, transportam-nos ao voto, não importando em que narrativas nos permitimos conduzir. Não importando, menos ainda, se simpatizamos ou concebemos uma mensagem por graça ou emoção, nem como ela nos vem. Pouco interessa o motivo ao qual, intimamente, estamos imbuídos: cargo, estabilidade, acordo, auxílio.
O medo adentra e domina nosso discernimento e deixamos correr entre os dedos o senso crítico. Por isso, salvem-se aqueles que puderam. Nesse ponto, conseguem polarizar-nos e nos fazer acreditar que o melhor a uma minoria prejudica a outra.
Recordar é viver e precisa continuar sendo: os fatos históricos são nosso ponto de partida. A “desinformação” impera por dedução impessoal a fato provado e passível de ser interpretado até por uma criança. Acima de tudo, a verdade liberta e, por meio do conhecimento, todos somos capazes e dignos do nosso próprio subjetivismo. Rogamos, assim, que a sangria ao Estado Democrático de Direito estanque, de uma vez por todas, e que as antíteses cedam lugar à lucidez. Assim é.