1. O que é Doença de Alzheimer? Quais os fatores de risco?
A doença de Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais prevalente no mundo, afetando cerca de 24 milhões de pessoas e estima-se que em 2050 esse número seja quadruplicado. Estimativas em 2015 mostraram que cerca de 46,8 milhões de pessoas são afetadas por demência em todo o mundo. Esse número de casos novos é quase 30% maior do que a incidência apresentada no relatório da Organização Mundial da Saúde em 2010. As maiores taxas de incidência foram na Ásia (49%), Europa (25%) e América (18%). No Brasil, os dados mais concretos sobre a Doença de Alzheimer vêm da década de 2000, quando as bases estatísticas do país comparadas com dados de outras regiões revelaram a prevalência no país de 1,2 milhão de casos e a incidência de 100 mil novos casos a cada ano. Porém, há necessidade de aprimorar a busca e o registro dos dados, uma vez que a Doença de Alzheimer pode ser não registrada ou subdiagnosticada.
2. O que é Doença de Parkinson? Quais os fatores de risco?
A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum em idosos, afetando homens e mulheres sem diferenciação entre raça ou classe social. Aproximadamente 1,5 a 2,0% da população idosa (acima de 60 anos) e 4% acima de 80 anos são afetados. Com o aumento da expectativa de vida, dado o crescimento da população acima de 65 anos, estima-se que exista no Brasil uma população de cerca de 200.000 indivíduos com doença de Parkinson. A prevalência em idosos de 60 a 69 anos é de 700/100.000 e naqueles de 70 a 79 anos é de 1.500/100.000.
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra. Além dos sintomas motores cardinais, como tremor, rigidez e bradicinesia, as pessoas que vivem com a Doença de Parkinson também sofrem de uma variedade de sintomas não motores, incluindo ansiedade, depressão e demência. A falta de dopamina afeta as funções motoras e cognitivas relacionadas à linguagem, uma vez que a pessoa que vive com a doença de Parkinson em um nível avançado da doença perde a capacidade de falar corretamente.
3. As duas doenças têm correlação?
Não existe correlação entre as duas doenças, pois ambas têm mecanismos fisiopatológicos distintos, contudo, é possível observar demência em pessoas que vivem com a doença de Parkinson em estágio avançado da doença.
4. Como se faz o tratamento dessas doenças?
A Doença de Parkinson permanece sem cura, portanto, o tratamento farmacológico visa principalmente o controle dos sintomas. A disponibilidade de tratamento possibilita a manutenção de uma boa mobilidade funcional, aumentando a expectativa de vida dos pacientes. Para isso, são realizados estudos para o desenvolvimento de novos fármacos, utilizando modelos animais como roedores que auxiliam tanto no desenvolvimento de fármacos quanto no melhor entendimento da fisiopatologia e dos sintomas. A abordagem farmacológica visa principalmente restaurar a atividade dopaminérgica que é reduzida. No entanto, os medicamentos antiparkinsonianos causam muitos efeitos colaterais, os quais determinam que eles devem ser usados apenas quando os sintomas estão prejudicando o desempenho no trabalho ou nas tarefas diárias. Atualmente, os tratamentos farmacológicos podem funcionar como suplementações dopaminérgicas com levodopa, inibidores da Catecol-O-metiltransferase, anticolinérgicos, agonistas da dopamina e inibidores da Monoamina Oxidase B.
Até o momento, os inibidores da colinesterase são as únicas drogas que mostraram melhorias significativas no processo cognitivo de pacientes com doença de Alzheimer, para reduzir seus sintomas, melhorando a função colinérgica nas sinapses neuronais. Esses fármacos aumentam a disponibilidade do neurotransmissor acetilcolina na fenda sináptica, reduzindo os sintomas da doença de Alzheimer.
5. Quais as descobertas mais recentes sobre as duas doenças?
Inúmeras pesquisas são realizadas para descoberta de novos fármacos para as doenças de Parkinson e Alzheimer. O fato mais recente foi a aprovação nos Estados Unidos de um medicamento para a doença de Alzheimer chamado aducanumabe. Esse é um medicamento que reduz as placas de beta amilóide no cérebro, ou seja, ataca diretamente uma das causas da doença de Alzheimer, tendo como objetivo desacelerar a progressão da doença e o declínio cognitivo do paciente. O fabricante do medicamento aducanumabe já solicitou aprovação no Brasil.
6. O que é o projeto Reviver e sua atuação?
O Projeto Reviver está desde 2018 atendendo na Universidade Federal do Amapá, pessoas que vivem com a Doença de Parkinson e/ou Alzheimer, atuando também nos seus cuidadores e/ou familiares. É um projeto de extensão e tem como objetivo avaliar e realizar a assistência multiprofissional contínua a pessoas que vivem com a doença de Parkinson e/ou doença de Alzheimer, bem como oferecer orientações sobre a doença e estado nutricional, acompanhar o tratamento e verificar o grau de adesão do paciente, cuidador e/ou familiar. Trabalham no projeto profissionais de saúde, docentes e acadêmicos de medicina, enfermagem, farmácia, nutrição, fisioterapia, educação física, direito, serviço social e psicologia. Com isso, é possível realizar ações que possam retardar a progressão dos sintomas das doenças e promover a qualidade de vida dos envolvidos através de um atendimento individualizado e humanizado.
Convidada
Farmacêutica-Bioquímica
Dra em Ciências com ênfase em Toxicologia
Professora do Curso de Farmácia da UNIFAP
CRF-AP n. 125