O Pará tem problemas? Muitos e nada fáceis, mas o principal deles é exatamente o fato de sua capital estar de costas para o Estado e mesmo pouca confiança lhe dando, o que agrava relações, alimentando com alguma razão, tais sentimentos separatistas.
Nas citadas bandas do Sul, no ex imaginário Pará dos Carajás, ressalte-se, que a presença de paraenses e nortistas é mínima. A ocupação preponderantemente migrante, com gente de todo o Brasil, tem forte presença de maranhenses, e eles lamentavelmente conservam almas, e atenções políticas para seu estado natal, até votando lá. Quanto aos demais ocupantes, acredito mesmo que partes interessadas em assuntos na atual capital, para lá não lotariam uma Kombi diariamente, resultado caro, cobrado pelo desprezo que ela disseminou nos corações daqueles migrantes, mas úteis ocupantes. Assim, neles o sentimento de Capital acalenta uma outra, nunca Belém, mas a longínqua Goiânia.
Se construída e transferida à uma nova capital no interior, algo ali entre Tucuruí e Altamira, acalmar-se-ão quaisquer futuras ideias separatistas. Tenho certeza.
No estado que ficaria consagrado como Carajás, se encontram, em maravilhosas terras, um dos maiores rebanhos bovinos do país, expressivo até mundialmente. De resto, além da rica serra dos Carajás, estrada de ferro, grandes estoques de madeiras e minérios, levaria ainda de lambuja uma das maiores hidroelétrica do mundo, Monte-Belo, no rio Xingu (pouca coisa). A parte dita Pará, continuaria rica em tradição, cultura, alguma agricultura e outras tantas atividades além da portuária, mas restando-lhe como maior valor, toda uma singular história de muita honra.
O sonho carajaense é antigo, principalmente da elite empresarial e de lideranças rurais. Até natural e importante para eles, é que possam ungir seus próprios políticos e representantes, para assim obterem maiores influências sobre leis, regulamentos e porque não, impostos. Afinal, ninguém não só não gosta, mas não quer administrar pobreza carente e reivindicante, mas, se tratando de riqueza, quem não quer?
O problema deles, entretanto, para que tudo isso possa acontecer é precisar de massa maior votante e fiel às atividades comerciais e industriais estabelecidas, pois como se sabe o domínio político no “parazão”, sempre foi da política tradicional urbana, na força da concentração humana seguida de outras vontades e sempre demonstrada com votos.
Diferentemente, e noutra ótica, imagino que o lá longe e totalmente esquecido Tapajós, não faria muita diferença para a turma da metrópole maior. Quem sabe se até muito irresponsavelmente não gostariam de se livrar dele. A impressão que fica, é que a dificuldade maior é ter acontecido esta aliança em dividir um em três. Se fosse uma transformação de um em dois, sendo ele o Tapajós era bem possível passar. Opinião minha. Ao que se saiba o último que bem se lembrou do Tapajós viveu na década de 20, o magnata americano Henry Ford, antes dele exilados derrotados norte-americanos confederados. Depois disso só mesmo Alter do Chão, com muito sol, areia, cerveja gelada e urubus após a festa. Mais nada…
Mas, como profundo conhecedor do “nosso” Pará (sou mineiro) uma coisa digo e ouso recomendar ao espírito paraense: – Juízo, caluda, responsável opção e principalmente que elas recaiam SEMPRE sobre o que for realmente melhor para o Pará e para o Brasil. Não mais temos tempo e espaços para uma simplória, clientelista e pouca objetividade na política nacional. Como o Brasil muito tem crescido, tolas decisões por desconhecimento ou interesses particulares causam agora prejuízos bem maiores. Além do que, até os recursos de boa vontade para com essa política se esgotaram.
Vamos lembrar que o Pará foi conquistado por antepassados que se fizeram e escreveram histórias. O Grã-Pará jamais foi anexado ao império brasileiro, veio sim por própria vontade e decisão (ingleses à parte). Mesmo com tais homens à época sabendo que ali se encontrava o único grande pedaço de chão sul-americano que poderia se tornar da noite para o dia num grande e próspero país, tal a magnitude de suas riquezas e recursos naturais. E nenhum outro Estado brasileiro goza desta perspectiva e possibilidade. Nenhum outro recebeu essa dádiva divina, embora herdada de homens fortes que a fizeram.
Um sonho, apenas um sonho, vamos sonha lo pois que acalenta qualquer ego. Embora os privilegiados políticos nunca são ou foram preocupados com o TODO.