Foge de qualquer condição criativa ocidental congratular ação russa. Parceria com os russos só convinha se fossem inimigos dos “nossos” inimigos. Sem essa condição, o que assentava saber de lá era que todo cidadão tinha acesso a armas e uísques.
Confinados em seus próprios territórios, de fato, nunca se viu ou ouviu dizer de russos naturalizados, com tanta facilidade, indo e vindo, aterrizando aqui e ali. Motivos? Esses ficam por conta e risco de cada imaginação ou interpretação histórica da geopolítica mundial.
Falando nela, o ocorrido, nesta terça-feira, 21 de fevereiro, intriga muita gente. O presidente russo Vladimir Putin lançou algumas declarações contundentes, em direção ao Ocidente. Ocasião? O tradicional discurso anual à nação. Nem precisava implorar a Putin que comentasse sobre a guerra com a Ucrânia. O tema fluiria naturalmente. Acusações e novas determinações e decisões da parte dele, também.
Homem de calibre de Putin, ousa-se, falta por toda parte. Nada de análises éticas ou ponderação moral. É sobre sua experiência de vida política e sua dedicação à defesa das fronteiras do país. Inusitado o discurso vindo de um político centrado no próprio Estado. Convinha, talvez, a ele, costurar entre o tema das intervenções dos outros países, na guerra, o tema pedofilia, o tema casamento entre homossexuais e outros?
Disse ele: “norma”. Isso mesmo. O Ocidente tem transformado a pedofilia em “norma”. Quem discorda? Seguiu o Chefe de Estado, sem titubear:
“Olhem o que eles fazem com seus próprios povos: a destruição das famílias, das identidades culturais e nacionais, a perversão e os maus-tratos de crianças, até a pedofilia são declarados como sendo a norma (…). E os padres são obrigados a abençoar os casamentos do mesmo sexo – revelou.
Revelação russa ou uma quase heresia? Desse lado ocidental, ninguém concorda, percebe ou aprova tamanho sacrilégio declarado por Putin. Quem sabe fosse o “aniversário” do conflito, na sexta-feira, 24 de fevereiro, que o confundiu em seu pronunciamento?
Afirmou ter sido a Ucrânia quem começou a guerrear: “Não tínhamos dúvidas que tudo estava preparado(…). Eu gostaria de repetir, eles começaram a guerra e nós usamos força para impedi-los”. Pois é…
Na ocasião, sem querer ser incisivo, mas à moda própria, pontuou que suspendeu a participação do país, no recente tratado de controle de armas assinado com os Estados Unidos: “Me vejo obrigado a anunciar hoje que a Rússia está suspendendo sua participação no tratado de armas ofensivas estratégicas”. O New START (Tratado de Redução de Armas Estratégicas) foi estabilizado pelos dois arquirrivais em 2010.
Um blefe? Desejaria qualquer ser humano que fosse. O rearranjo da Ordem Mundial teve lá suas forçadas mudanças, com a China comunista, sendo o novo império capitalista das duas últimas décadas. Agora, subestimar a inteligência estrategista de Putin é, aí sim, insulto, contrassenso, incoerência.
Um conflito que já soma mais de 200 mil mortos e quase 100 mil ucranianos sem suas casas… O êxodo foi constatado ser o mais rápido, desde a última Guerra Mundial. Cenário tal que Putin atribuiu aos países ocidentais: “A responsabilidade por alimentar o conflito ucraniano, por sua escalada, pelo número de vítimas (…) recai, inteiramente, sobre as elites ocidentais”, afirmou.
Vale nota: ele acrescentou, ainda, que não tem intenção de encerrar a guerra. Seria salutar a OTAN e os “simpatizantes” engolirem, com um bom uísque, aquela afirmação. O russo não economizou em suas análises sobre a nova cultura globalista do Ocidente: “Valores corruptos do Ocidente”.
Complementou o russo com algo como o que segue: “O Estado não deveria interferir na vida privada, mas uma família é a união entre um homem e uma mulher”. Ao que se ouve, Putin tornou as leis anti-LGBTQIA+ mais duras, desde que assumiu o Estado, incluindo a prisão de ativistas e não há lei que torna crime a homofobia.
Curioso, como diria meu irmão, que sempre preferiu a discrição: “Vamos ver quem vai bater às portas dele e dar ordens, dentro da Rússia”. Vamos?! Difícil…. Os Estados Unidos, na figura do conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, para darem a “última palavra”, condenaram falas do Presidente russo. Emendou Mister Sullivan: “Ninguém está atacando a Rússia. É absurdo pensar que a Rússia estava sob qualquer tipo de ameaça militar da Ucrânia ou de qualquer outro país”.
Foge mesmo de qualquer condição criativa do povo do Ocidente congratular ação discursiva russa. Mesmo assim, além dos uísques, das armas e das estratégias de guerra russas, sempre notáveis, o discurso de Putin merece, ao menos, 5 minutos de atenção e reflexão.