Prêmio Nobel 2021, ecoam seus passos e vagar em toda a seara da Literatura.
Seus romances nos envolvem em círculos, ciclos, esferas…
Esse é ele, não é ela. Prêmio Nobel 2020.
Louise Glück escreve poemas. Sua voz é da América do Norte.
Seu espanto ecoa em todo o continente:
“Isto é a terra? Então, não sou daqui.”
O seu texto, sua poética, corporifica, revela as sensíveis quimeras dos corpos e sentidos desencontrados que transitam nas alamedas ora geladas ora floridas das metrópoles soerguidas.
“Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?”
Castro Alves bradava desde os recantos de sua Bahia.
Deu forma som e cores, brandaram tambores, às Vozes D’África.
Ecos indignados de um espírito ancestral.
“Aqui distante, de ti tão longe”, 2021, digo a ti, amado errante, não é Deus quem não ouve, são os humanos desconectados da divindade e/ou humanidade espalhando a dor, dando forma a agouros sibilantes.
Nas calçadas, becos e favelas crianças famintas; na solidão de palácios e palhoças mulheres agredidas…
Amplo reboliço. Nos escritórios, diretorias, presidências, comandos… os “tapetes puxados” quebram as porcelanas chinesas e os jarros marajoaras.
A mentira, esta inquilina da inveja e da cobiça, dança e rodopia fazendo zombarias nos palácios das preces e da justiça.
Quais vozes ouves?
Sandra Regina klippel