Em um estado totalitário não importa o que as pessoas pensam. O governo pode controlá-las pela força dos cassetetes. Mas, e quando não pode controlar as pessoas pela força, o que fazer? Você já deve ter percebido, um caminho é controlar o que as pessoas pensam e debatem. Mas como fazem isso? A maneira típica de fazer isso é através de ilusões, como fabricar problemas inexistentes, marginalizando o pensamento do público em geral ou conduzindo-o a alguma forma de apatia ou enganosa euforia.
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• No momento em que escrevo este artigo está sendo votada na Câmara a confirmação ou não da prisão do Deputado Federal Daniel Silveira. Não vou entrar no mérito da legalidade, da constitucionalidade ou da justiça da decisão do Supremo Tribunal Federal-STF. E não o farei porque não é o assunto mais importante deste país. Sim, não é o assunto mais importante, embora neste momento seja o mais debatido nos meios de comunicação de massa e redes sociais.
• Registro o óbvio: é fundamental para a democracia a liberdade de palavras, votos e opiniões daqueles eleitos para representar o povo. A questão merece debate no foro próprio, Judiciário e Parlamento, com base no disposto na Constituição Federal.
• Contudo, o tema não pode ocupar a mente e o tempo dos brasileiros em substituição a outros que estão custando a vida e a higidez de pessoas, neste momento e em momentos futuros, por falta de enfrentamento no AGORA, por parte do Executivo. Não PODE, também, ser distração que impeça o trabalho daqueles (Legislativo) que têm o dever de fiscalizar os atos necessários para salvar vidas. Muito menos DEVE ser distração para os ativistas, esses abnegados que, embora não tenham o dever, exercem o DIREITO de fiscalizar os atos públicos.
• Enquanto a sessão (que lembra os espetáculos do Coliseu Romano) se desenvolve na Câmara Federal, com audiência recorde, milhares de pessoas sofrem e morrem nos leitos de hospitais, seja em razão da asfixia pela falta de oxigênio e de combate aos efeitos da Covid-19; seja por outras doenças, as quais hoje sequer são lembradas, embora sejam extremamente preocupantes, pois, quando não matam, geram danos irreversíveis, como tenho descrito nesta coluna aos domingos.
• Angustio-me, enquanto a sessão se desenvolve na Câmara Federal, com audiência recorde, milhares de pessoas sofrem e morrem nas ruas, seja pela fome ou pela violência que grassa em nossa população ou, mesmo, por excesso de uma polícia que se encontra sem condições de enfrentar a multidão de zumbis que vagueia sem oportunidade de exercer uma atividade que lhe permita garantir sequer o alimento para sobreviver.
• Opto por oferecer o benefício da dúvida e afastar a suposição de que os envolvidos no espetáculo em que foi transformada a prisão do parlamentar não tenham consciência do que está acontecendo. Isso para não ingressarmos em “teoria de conspiração” e incorrermos no erro de, também, desviar o foco dos problemas reais. E o que está acontecendo? Problemas imaginados, engrandecidos ou extemporâneos estão substituindo o espaço de enfrentamento de problemas reais – Má Gestão e Corrupção em setores públicos.
• E problemas reais, brasileiros e brasileiras, são quando e onde seremos vacinados; quais as ações públicas executadas para que a economia se desenvolva e o setor privado ofereça oportunidades aos empreendedores e, como consequência, haja emprego e renda para mais de 14 milhões de desempregados e de 30 milhões de subempregados.
• Noutras palavras, problemas reais para o povo é ter oferta de saúde para tratar de suas doenças; ter onde vender seu trabalho, seja como serviço ou produtos. Problema real para o povo é ter a oferta de condições de se deslocar de um lugar para outro com segurança. Problema real é manter a sanidade física e mental com tantas desinformações que dividem opiniões de pessoas que sofrem as mesmas tribulações.
• Esses acontecimentos estão muito evidentes, são chocantes e desarrazoados. Por isso, o julgamento do deputado Daniel Silveira não terá o efeito desejado, não trará soluções, não importa o que decidam. Acompanhamos juntos, cada vez mais, as reações à má gestão e à corrupção. Os governantes de todos os poderes estão constatando que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências…pelo voto. É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!