A poetisa de ininterruptos recomeçar.
Resiliências em seus gestos são expressões do verbo amar.
Expressa em seus versos os pingos e asteriscos de seu caminhar.
De tropeços e riscos desenha em seus textos o encanto de sabores mil.
Surgem ali plantados ao vento jardins de pensamentos para espalhar.
Conclusões de fios torcidos na tábua de lavar os encardidos da vida.
Encardidos alvejados ou não, ao sol, em varais longos e flamejantes pendurar.
Recrear configurado com mãos tamborilando sobre o papel com canetas e lápis a lavrar o recriar, rever, repaginar, reviver, ressuscitar e alegrar.
Lavrar sulcos de grafite e tinta para recriar destino e desdita em dita para ficar.
Incansável ela dita e eu registro:
“Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça”.
Não há tempo para encalhar em embustes e tropeços de estradas esburacadas,
não é justo desperdiçar lembranças ou momentos de bem viver
em valas profundas e sombrias do lamentar.
Torce os farrapos e os joga no rio de corredeira e deixa as águas levar.
Recolhe baldes de águas cristalinas para a semeadura fertilizar, flores irão brotar.
Recriar a cada segundo a visão do esplendor dos sonhos do seu caminhar
é que vivifica a alegria de seu olhar e dá novo folego ao respirar.