Um thriller polonês alucinante, com uma crítica tão vigente e concreta que é quase impossível assistir e não se espantar ou chocar com o teor de realismo do filme. Nele, uma série de perigos relacionados à internet, como as fake news, da superexposição nas redes sociais e da propagação de discursos de ódio são abordados da forma mais crua e direta possível.
O protagonista, Tomek Giemza (Maciej Musialowski), é amoral, obsessivo e sem caráter; um típico sociopata que faz de tudo para conseguir o que quer. Após ser expulso da faculdade de direito e se revoltar por não conseguir chamar a atenção da garota por quem é obcecado desde a infância, ele consegue ser contratado por uma empresa imoral de relações públicas, na qual ele se destaca por criar perfis falsos em massa nas redes sociais e usá-los para promover discursos de ódio contra pessoas públicas, como políticos e digital influencers. No entanto, tudo sai de controle quando ele percebe que pode usar o anonimato da internet para mudar os rumos de seu país e sua própria vida.
A atuação de Musialowski é tão magistral que transmite ao espectador uma gama de sentimentos diferentes. Medo, raiva, indignação, choque, tudo se mistura. Quanto mais a história avança, mais revolta e surpresa ela gera, especialmente pela semelhança com a realidade, na qual grupos extremistas atropelam as barreiras da liberdade de expressão e do bom senso, para defender causas ou posicionamentos políticos de maneira agressiva, se valendo da sensação de onipotência que o ambiente virtual propicia.
Repleto de suspense e dramas incrivelmente reais, cada minuto de ‘’Rede de Ódio’’ vale a pena.
The Old Guard
E se o ser humano pudesse viver por milhares de anos? Essa é a possibilidade que a narrativa de ‘’The Old Guard’’ explora. Misturando super-heróis, ação e drama, a história acompanha um grupo de soldados especiais, que se recupera de qualquer tipo de ferimento e só morre depois de viver por milênios. Esse grupo dedica sua existência a ajudar pessoas, tendo por vezes, inclusive, mudado o curso da história.
Andy (Charlize Theron) lidera esse grupo e, depois de viver tantos milênios de guerras e violência, já está desiludida com a humanidade e sua possibilidade de mudança. Mas quando uma nova ‘’imortal’’ é descoberta e entra no grupo, essa percepção de Andy vai mudando gradualmente.
A quantidade de cenas de ação em diferentes cenários, tanto atuais quanto históricos, empolga bastante, e apesar de ter deixado muitas lacunas na história da origem desses soldados e seus dramas pessoais em si, o gancho para um segundo filme leva a crer que todos os questionamentos deixados podem ser respondidos futuramente.
Não é exatamente um filme maravilhoso, mas com certeza é eletrizante, divertido e interessante do começo ao fim.
Vivian Soares