Nelson acabou candidato e eleito presidente da África do Sul por “dois votos”. Um, do exterior, representado pelo poder econômico da Inglaterra e Estado Unidos, que influenciavam opiniões no mundo inteiro. Outro, do rei da tribo dos Zulus, que, também convencido pelos “fortes” argumentos externos, simplesmente, mandou seu povo, “livremente” votar nele!!! Sem as bênçãos de sua majestade “democrática”, não daria sequer para arriscar uma candidatura. Por ironia, do destino ou da história, que na implantação da democracia num país, o vitorioso acabasse sendo fruto de ordem de rei!!!
Na disputa, Mandela obteve cinqüenta e três por cento da preferência e seu concorrente branco, quarenta e dois. Em se tratando de um país, em que a população branca não chega a um quinto do total, foi incrível a quantidade de eleitores negros votando na indesejável pele clara! Absurdo!
Sem alarde, deixaram exposta a sonolência dos bons sensos mundiais, que incoerentemente, ainda acredita na lisura de tais jogos e interessadas propagandas, o que tem feito todos permanecerem sempre convencidos de situações inexistentes e irreais, em terras alheias e perante cultura local. E aí, não vai qualquer posição contrária ao líder Mandela, apenas apresento uma verdade lá encontrada, bem diferente, daquela sempre divulgada ao mundo.
Impressionado, procurei ver o que não mostravam, mas que acontecia em outros cantos da África. Moçambique, por exemplo. Estando em um acampamento onde havia mais de vinte mil refugiados, durante quarenta minutos, tão só quarenta, morreram dezesseis deles. E de fome, bem perto de mim. O que ali acontecia todos os dias, onde, graças a Deus, eu não teria que voltar.
Nelson Mandela ficou presidente; fortunas trocaram de mãos; porém quem continua mandando é quem já mandava com competência. Conseguiram, pelo menos separar os ranços da apartheid da vida comum do povo sul-africano.
Deixando tais pesadelos e voltando ao Brasil, perguntava-me com frequência, cá entre nós, quem garante futuro às pessoas hoje marginalizadas, sem oportunidades, que aqui somam uma população igual ou maior do que aquela existente num país como África do Sul e que despertara interesse no mundo inteiro? Quem é o responsável por situações similares à africana, em nosso país? De onde surge e aparece tanta solução criada a partir de análises e informações de cunho econômico errado e com interesses políticos e até ambientalistas distorcidos? Até como hoje, a Venezuela, também uma questão de etnia que com visão caolha, ignorante e egoísta, transforma-se em política.
Durante bons e longos anos, a análise de tais problemas caseiros, levou-me à beira do descaso e à perda do interesse que possuía na busca das equações possíveis. Sem fugir da fenomenal realidade, tornara-se para mim, difícil aceitar, que coisas tão grosseiramente manipuladas, fossem de tão fácil aceitação….Com a proposta de escrever um livro, contando experiências e histórias, dava-me conta, por fim, como tantos outros, de tristes verdades do país junto a falta de caráter de setores da nossa elite política.
Também até por isso, desencantadas, pessoas íntegras e sérias, porém humilhadas, já aceitam a presença de transgressores da lei e permitem com o silêncio, que eles exercitem suas ambições. Um claro resultado das erradas políticas noticiadas externamente e mal engendradas internamente, que sempre oprimiram o justo e desestimularam o honesto. Tudo faz sim, nos aproximar, cada vez mais do exemplo africano. Estamos indo para lá, e, com certeza, com maior violência. Minhas principais e mais tristes previsões já acontecem, bastando conferir os domínios econômicos poderosíssimos, que em nosso país, tem a ilegalidade e o crime restando impunes.
Nossa terra, de pretendida esperança, o Brasil, em resposta, é, hoje, quase tão somente rebelde e fomentadora de grandes e errados procedimentos. E ainda vêm aí bobagens tais, como, esquerda, “centrão”, direita, “desarmamento”, “conservacionismo” excludente de humanos, acometimentos ao pacto federativo e tremendas violações jurídicas de absurda transferência de responsabilidades dos poderes públicos com agressão ao direito individual dos cidadãos.
E logo num paraíso como temos, e com gente tão especial.