Na Grande Hileia de Humboldt, muitas prescrições acadêmicas e ou medidas políticas, para resolverem os problemas, quase sempre desconcertantes, que afloram nas realidades originárias ou mesmo nas territorialidades criadas por decretização via Diário Oficial da União (DOU) na Amazônia, poderiam ser resolvidos através de uma primeira e importante premissa, como bem colocou o Poeta Thiago de Mello: “Não, não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar”. Assim, como na acertada bula do longevo poeta, a nossa Amazônia não precisa de novos caminhos, a Amazônia precisa de um jeito novo de caminhar.
A questão começa a perder o controle quando o ICMBio passa a agir armado e atirar em brasileiros que vivem em suas territorialidades há décadas, o Ibama toca fogo em habitações de ribeirinhos que praticam atividade de mineração tradicional e que poderia ser muito bem mitigada seus efeitos ambientais deletérios e potencializados seus resultados produtores de bem-estar social e, finalmente, o Exército Brasileiro, passou a ser usado politicamente como um “Estandarte do manu militari”, para garantir a atuação policial do Estado, em cenários de atrocidades, sem amparo constitucional, formatado quase em sua totalidade pela ilegalização dessas sociedades tradicionais históricas, protagonizada em mais 70% sem um processo formal e material e de forma sumária e inquisitória.
As medidas ditas necessárias “à preservação e proteção da Amazônia” impostas pelos inimigos invisíveis do Brasil, que estão há três décadas prometendo “bilhões de Dólares” para a proteção da Amazônia, não ultrapassaram ainda, a faixa de caloteiros planetários, que financiam algumas ONGS que servem de “Quinta Coluna” para facilitar esse estelionato “Climático” que terminará arremetendo a nossa soberania sobre a Amazônia Brasileira, para um enclave humilhante onde China-Rússia e USA-União Europeia, podem chegar a um acordo, dessa vez longe da cruel eugenia africana.
No caso de nossa florestal tropical e seus incalculáveis insumos ambientais, essas Nações Ricas praticarão um esquartejamento das nossas riquezas na Amazônia, em nome de sua imprescindível importância para combater às “Mudanças Climáticas” e o mercadológico aquecimento global, que nada mais é do que uma moderna via de descolonização de nossas riquezas e ocupação indireta, nessa primeira fase, de nossos territórios mais estratégicos.
Já palestrei algumas vezes e assisti conferencistas brilhantes na Escola Superior de Guerra (ESG). Lá, ouvi muitos estudiosos e alguns parlamentares, tratarem desses temas geopolíticos que orbitam em torno da Amazônia, com cosmovisão e competência científica. Há quatro décadas, abordar a questão da internacionalização da Amazônia era “coisa de esquizofrenia de milico”. Acontece que hoje, somente nós da Amazônia, que lá vivemos e, com certeza, lá também iremos morrer, convivemos com as incertezas e ameaças se nossos filhos e netos poderão lá viver como “Terra Brasilis”.
Parece-nos que a cada dia a União impõe às sociedades amazônidas, especialmente as sociedades tradicionais garimpeiras e imemoriais indígenas, uma nova sentença, como se as sociedades amazônidas não fossem dignas de terem futuro diante de tantas fórmulas (i)legais interventoras, que se montam numa equação indefinida, que tem nos levados a todos, ao caos e a um evidente e inexorável naufrágio socioeconômico e ambiental, quase todas as atividades econômicas e culturais básicas de sustentação do desenvolvimento de nossa região.
A grande questão que aflora e pauta uma desconcertante reflexão, é a de como pode uma região com mega riqueza, baixa demografia e amplas plataformas naturais logísticas poder caminhar numa trilha sem esperanças e sem futuro, para seus 29 milhões de habitantes? Essa falsa e monóloga cantilena dos climaticídeos, bradada falsamente como via principal de salvação do Planeta, colhe suas primeiras safras produzidas a partir do sementeiro dessas antiverdades, sementes manipuladas e com forte transgenia quase sempre maestradas por falsos ou bem pagos “especialistas” e que já ameaçam as vidas amazônidas e todas as nossas economias, desde aquelas mais singelas e culturais como as atividades extrativistas tradicionais até o mais POP o qual denominamos de agronegócio, e que já sente os efeitos dos primeiros golpes, em seu robusto corpo, que representa 30% do PIB Nacional.
Por que se torna a cada dia tão difícil dialogar com as sociedades amazônidas e seu diverso e valoroso capital social? Por que o Brasil e sua pálida governança, não conseguem enfrentar as questões mais simples e básicas que balizam o início da solução dessas grandes questões que não consegue encontrar meios e respostas para promover o equilíbrio da trilogia homem, trabalho e natureza. Acho que mundividência da poesia do saudoso poeta amazonense ainda brota como fonte de seiva fertilizadora dessa nova busca, não adianta reproduzir as mesmas trilhas ou fazer caminhos novos, mas que nos levem aos mesmos lugares. É verdadeiramente necessário construir um jeito novo de caminhar.
Nos últimos sessenta anos, os governantes do Brasil têm traçados políticas decretizadas por pensadores com culturas e saberes que não se comunicam e muito menos conhecem ou reconhecem nossas realidades, culturas e territorialidades nascidas de atos públicos, promovendo um choque entre as novas vias policiais de intervenção e suas implicações socioculturais.
Na tentativa de corrigir todos os efeitos deletérios dessas implicações, derivadas das políticas públicas que o próprio Estado promoveu ou incentivou, implantou sem estudos das realidades locais, uma política de criação de centenas de áreas patrimoniais, que já atingem 30% do território nacional, regadas subsequentemente por atos formais que a cada dia projetam essas sociedades, suas realidades e suas economias nua via pública de ilegalização, o que é mais grave, aplicando a cada novo modismo ecológico, novas regras administrativas são criadas inviabilizando as atuais e bloqueando o surgimento de novas economias na Amazônia, como estão tentando nos casos do Petróleo no Pré sal do Amapá, o Potássio de Autazes e o Fósforo na Reserva Nacional do Cobre (RENCA) no Estado do Pará.
O Estado Nacional, precisa chamar os demais entes federativos dos nove estados da Amazônia Legal, antes da COP 30, construir pelo menos uma “Governança Integrada” envolvendo as autarquias federais, estaduais, municipais, academias públicas e privadas e, principalmente, chamar os capitais sociais e as entidades do Terceiro Setor, verdadeiramente comprometidas com o Desenvolvimento da Região que seja capaz de construir oportunidades includentes e fortalecimento das economias sustentáveis.
Transferir mais tecnologia de análise de informações “Up Date” não só para as academias como também popularizar o acesso ao sistema remoto de monitoramento de nossos Biomas e levar a todas as prefeituras da Amazônia Legal, um programa de treinamento, monitoramento e fiscalização do uso e defesa dos insumos e patrimônio ambiental.
O Congresso nacional, tem que destinar alguns bilhões de reais a curto prazo, para as forças armadas investirem em tecnologia de ponta e equipamentos de apoio de alta tecnologia, modernizando seus centros e comando regionais até os mais simples pelotões especiais. Na década do uso da Inteligência Artificial, era do uso de gestão remota da fiscalização e da ação, não pode nossas forças armadas ainda estarem treinando nossos “Guerreiros de Selva” do mesmo modo que vem fazendo há meio século.
Essa Governança Metafederativa, ao contrário do que os conservadores progressistas pensam, não enfraquece o “Poder Político”, em verdade nós estaremos promovendo o maior exército de defesa de um Estado, fortalecendo a Nação, com consciência coletiva e participação dos mais variados estratos do Capital Social.
Temos que refletir muito sobre os bons ensinamentos do Antropólogo Charles Wagley, que em seu “best seller”, “Uma Comunidade Amazônica”, há quase 70 anos, assim definiu bem o valor da participação e respeito as culturas de nossas sociedades locais:” Uma nova sociedade não pode nascer do nada. A nova sociedade que o Brasil pretende criar na Amazônia terá por base o conhecimento que o povo dessa região acumulou durante séculos”.
Não há exemplos de sucesso ante as tentativas daqueles que buscaram uma política pública ambiental decretizada sob prismas teóricos ou de interesses de forças ocultas, pois a Amazônia vem há séculos derrotando todas as utopias Ecocráticas, pois quase sempre são procissões desacompanhadas do binômio bem-estar social e desenvolvimento. O maior inimigo da Grande Hileia de Humboldt é exatamente o desemprego e a desertificação das economias rurais da presença do Estado. O Agronegócio só se desenvolveu devido ao trinômio, Tecnologia, Garantias e financiamentos.
O desmatamento na Amazônia é garantido por Lei de forma que essa condição tem que ser alterada, pois não há mais lugar para novas aventuras legais promovidas pelo Estado garantindo, formalmente, o direito de ocupar, desmatar e legalizar o patrimônio de biodiversidade inscrito nessa magnifica dádiva do Grande Criador. Há um paradoxo já desbotado e notório que destaca que toda preservação na Amazônia é um grande decantador de pobreza.
A maior garantia de que a Amazônia irá sobreviver, são os Estados Pan Amazônicos promoverem políticas públicas capazes de construírem desenvolvimento em múltiplas escalas, respeitando as vocações culturas, os insumos ambientais locais, a construção de um sistema logístico ágil e barato, e principalmente fortalecendo o conhecimento mínimo de todos, de que uma política ambiental eugênica não constrói bem-estar social no presente e muito menos não oferta garantias de futuro às novas e futuras gerações.
Há muitos anos cito em minhas conferências que antes de se discutir a Amazônia é preciso entendê-la como biocosmo, conhecer suas riquezas, compreender sua gente e respeitar suas culturas. Nós, da Amazônia, somos vítimas de uma diáspora ecológica que ameaça nossa própria eugenia.
Msc. Antonio Feijão
Geólogo e advogado