Passaram os anos, ficaram para trás, no retrovisor. No entanto, as perguntas sem respostas ecoam sobre os desertos que avançam, as florestas que queimam e as ruas que inflaram de desesperados.
As ruas dos medos. O perigo do assalto, da emboscada, da vida roubada, ultrajada. As ruas repletas de sedentos por justiça, dignidade e tranquilidade são, ora sim, ora não, as mesmas ruas invadidas por famintos e sedentos de água e de pão – os sem lar, sem sustento ou profissão.
As ruas dos medos, alternadas ou conjugadas, não importa, traduzem a realidade disfarçada por fanfarrões. Fanfarrões épicos, apoteóticos, que distraem multidões nas novas versões do “pão e circo” dos romanos. Não nos esqueçamos, a lembrança da história pode ser nossa salvação.
E os gladiadores que outrora nos circos do Estado divertiam a plebe, dança sangrenta de alienação, hoje se espalham e derramam seu sangue em lutas inglórias traduzidas nos “likes” que as redes disparam, além de dinamizarem os horários nobres dos canais de informações.
Você tem sede? Sede de quê?
Da ternura que há no sorriso gratuito, no abraço intenso, no encontro civilizatório do respeito e coerência, no gesto humanitário que resgata a fragata, nau ou ave, leve a voar sem ruas de medos ou pratos vazios de arroz e feijão, carinho e atenção ou um beijo que aquece, um canto doce que adormece?
As horas passaram. Os dias passaram. Afinal, como diz Quintana, “Eles passarão, eu passarinho”, já fiz meu ninho e adivinha, os anos passaram. As ruas dos medos e fanfarrões, queiramos nós e Deus irá querer, passarão.