Éramos nós apenas dois mortais,
Meros mutantes num planeta imundo,
Amantes dum ardor já moribundo
Dentes de amor, cegos demais!
Meros mutantes num planeta imundo,
Amantes dum ardor já moribundo
Dentes de amor, cegos demais!
Éramos nós, dois meros animais
Ambos no cio, porém nenhum fecundo,
Absorvidos na extensão do mundo
Amanhecidos nessas matinais…
Mas, só nós dois, nós dois e nada mais,
Vividos por viver cada segundo,
Éramos loucos como era profundo
O amor sentido nesses modos tais…
Como também já era os ideais
Tecidos por nós dois, como no fundo
Eras a dama e eu vagabundo,
as vezes nós só dois seres normais!
Se tu voavas voo de pardais,
Eu ensaiava o do maribondo,
Se eras abelha em outra forma estando,
Virava eu zangão teu servo e capataz!
Mesmo sabendo que as horas finais
do nosso amor, foi certamente quando
deixamos de viver mas não morrendo,
voltando a ser os mesmos desiguais…