Infelizmente o Ministério da Saúde e as Faculdades de Medicina contribuem para a disseminação dessa ideia. A propagação pelas Redes Sociais cristalizou a cultura da desinformação. Aliado a desinformação e a falta de educação, temos uma estrutura pública de saúde caótica e desigual.
Para entender o sistema é preciso ter um olhar crítico dos direitos sociais. A reflexão sobre o conceito de saúde pode desencadear um processo de observação da qualidade de vida no cotidiano do sujeito e de sua comunidade.
A Organização Mundial da Saúde (OMS, 1948) revolucionou a definição de saúde para além do organismo como corpo físico e a ampliou para as condições psíquicas ou emocionais e para os aspectos sociais, que deveriam atingir tal ponto de equilíbrio que proporcionasse o estado ideal do estar completamente bem. Saúde é um bem-estar físico, mental e social.
Tal conceito delineou uma visão integral que leva em conta aspectos sociais, educacionais e econômicos. É impossível pensar em saúde pública sem levar em conta o ser humano enquanto portador de direitos, liberdade, humanidade, bem estar social e individual.
Sem saneamento, Educação, Renda, Trabalho, lazer, saneamento, meio ambiente jamais avançaremos em políticas públicas que transformem a vida do cidadão. Educação, promoção e Valorização da Vida são bases para trabalhar uma cultura que leve em conta a Prevenção.
Falta ao governo nas suas três estruturas de poder, garantir meios que criem condições para mudar o conceito de saúde como simples meio para tratar doenças. Além da má distribuição da Rede Hospitalar no Brasil, temos que lidar com a corrupção que é um filão para desviar os parcos recursos da saúde. Aliado a tudo isso, temos profissionais que não tem compromisso com a qualidade do atendimento e do serviço público.
Pensar a saúde do ponto de vista da ausência de doença é uma concepção assistencialista, que coloca em evidência a necessidade de afastar a doença que acomete o indivíduo, pressupõe um diagnóstico, feito mediante exames clínicos e laboratoriais, para que se possa prescrever, de pronto, remédios e, assim, curar a pessoa daquela doença.
Foi com essa concepção que a medicina se estruturou no Brasil e priorizou ao longo de anos o modelo médico-hospitalar. Embora essencial, porque envolve a prestação do atendimento e assistência médica aos que adoecem que o Estado tem dever de garantir, ele fundamenta a proposta de oferta de serviços médicos destinados prioritariamente a tratar as enfermidades e/ou a recuperar suas consequências. O que fazer? A meu ver sem a participação da sociedade no controle social, jamais avançaremos e assim, permaneceremos estagnados e cada vez mais subjugados e atrelados a um sistema mercantilista, que leva em conta somente o lucro e não a vida.