São bem-vindas, miragens e descanso, aviso de possível oásis refrescante.
As sombras das manhãs em que amanheço alongam meu corpo, revelam o caminhante,
a silhueta esguia traçando uma seta na busca de caminhos e, por mais que eu corra, não a alcanço em sua determinação itinerante.
Ou são as sombras que me seguem? Ou sombras que me acompanham ora à esquerda,
ora à direita… Também destas não me livro, são persistentes. Eu ali ao sol também persisto.
Da clara luz não desisto, não desisto de seguir em frente e dar ré sempre que for preciso
para não cair no abismo, nem no ostracismo do singular encontro combinado comigo.
Há na trajetória muitos perigos. Sim há perigos.
Platão já nos alertava, nos séculos esquecidos, sobre as sombras que subjugam,
as sombras que escravizam,
as sombras que anulam nossa condição cognitiva e criativa.
São as sombras refletidas nas paredes das cavernas, onde no auto esquecimento multidões fenecem, seres que negaram a si a ação amorosa de sair do esconderijo dos preconceitos maliciosos, maldosos, por outros concebidos e por tantos acalentados e conduzidos.
Ficaram sob a falsa proteção dos emparedados, vendo do mundo os reflexos dos espelhos convexos manipulados por movimentos dispersos. Apegam-se às migalhas dos reflexos ilusórios da vida que não tem vida, negando a possibilidade de descobertas.
Ali, na caverna, entorpecidos pelo medo de enfrentar o desconhecido, jamais sentirão a ausência de sombras ao Sol do meio-dia. Dura alguns segundos, minutos, mas oh! Glória.
Repete-se a cada novo ciclo ou dia, mas somente para quem faz travessias para além dos túmulos e cavernas e enfrenta a luz do dia.