Desculpem todos, porém, o cansaço é grande. Tenho que confessar que muitas vezes, como hoje, sinto uma enorme vontade de parar de escrever. Há mais de uma década venho denunciando e advertindo sobre o movimento de outros países para a internacionalização da Amazônia, um ataque direto à soberania do Brasil. A sensação que me invade é que tenho falado para “ouvidos moucos” e escrito para “olhos cegos”. Vejam bem, não sou o único a fazer tal denúncia, apenas faço “coro” a ilustres autores do passado e do presente.
Não é possível que diante de todas as evidências que estão diante dos nossos narizes e esfregadas em nossas caras, diariamente, continuemos passivos, alguns até denominam as denúncias do movimento de internacionalização da Amazônia de “teorias de conspiração”. Sempre vale lembrar as pessoas religiosas que dizem: “a grande estratégia do “coisa ruim” é convencer a todos que não existe”.
Mais uma organização financeira francesa, o BNP Paribas faz ameaça clara aos produtores brasileiros, como noticiado pelo jornal “O Globo” em 15/02/2021:
O BNP Paribas, maior banco da França, disse nesta segunda-feira que vai parar de financiar empresas que produzem ou compram carne ou soja cultivada em terras desmatadas ou convertidas na Amazônia após 2008. O credor também disse que incentivaria os clientes a não comprar ou produzir carne ou soja cultivadas no Cerrado, vasta região de savana tropical que cobre 20% do Brasil, financiando apenas aqueles que adotam uma estratégia de desmatamento zero até 2025…….. “As instituições financeiras expostas ao setor agrícola no Brasil devem contribuir para esse combate ao desmatamento. É o caso do BNP Paribas”, afirmou o banco, em nota.
O Paribas tem filiais no Brasil e vem se locupletando do “rico dinheirinho” dos brasileiros há muito. Não custa citar que temos o péssimo hábito de financiar e sustentar os inimigos da nossa produção e do nosso país. A proposta/sugestão de “desmatamento zero”, para os que ainda não entenderam, significa a “moratória da produção na Amazônia”, ou seja, a relativização da soberania da região perdendo o governo a gestão para o seu desenvolvimento. Os 60% do território brasileiro representados pela Amazônia ficariam reféns de organizações internacionais. Talvez seja a hora de lembrar que a alma dos brasileiros não está à venda.
Stop. Alto lá. Vamos rebobinar essa fita. Afinal, quem é responsável pela gestão da nossa nação e do nosso país? Vamos “escarafunchar” a memória e recordar como se processa a escolha do gestor em uma Democracia. Salvo engano, a escolha do gestor e o modelo da gestão se dá através de eleições diretas com a participação de todos.
O voto é uma procuração popular, concedida em confiança, a um “brasileiro nato” e o modelo de gestão proposto durante a campanha eleitoral. Por favor, me refresquem a memória, quem escolhemos para gestor e seu modelo de gestão? Foi o brasileiro que hoje ocupa a Presidência da República, por prazo determinado, ou escolhemos outros países e grupos financeiros para nos gerir?
A triste conclusão que se chega é que, apesar de toda a luta dos seus habitantes ao longo dos séculos, o chamado “mundo ocidental” não é democrata e sequer possui convicções democráticas, uma vez que, a maioria dos países e organizações que o integram não respeitam as Democracias alheias. Como se chega a essa trágica conclusão? De forma fácil e simples, basta parar de ouvir os discursos e analisar as atitudes. Na área comportamental dizemos que a atitude esposada é bem diferente da atitude em uso. Este tipo de comportamento é mais comum do que a maioria pensa.
Creio que é chegada a hora da grande maioria da população e das autoridades constituídas observarem com mais cuidado o comportamento das mulheres e homens que integram o Agro alimentando a todos e seguirem seus exemplos. Somos destemidos, não conhecemos a covardia, trabalhamos de sol a sol ou de chuva a chuva e não dispomos de muito tempo para filosofar sobre as agruras do mundo. Diariamente, ao acordarmos, saímos para o trabalho para enfrentar a dura realidade do dia a dia. Será que todos não perceberam que apesar desta nova pandemia, do muro de Berlim ter caído, da continuação da guerra fria ou da disputa na geopolítica os alimentos continuam sendo produzidos?
Enfrentamos todos os tipos de vicissitudes, desde as climáticas, políticas, legislativas, judiciárias e ataques internos e externos. Será que não sentimos medo? É claro que sentimos, todavia, não somos covardes e os enfrentamos. Lutar foi a herança maior que recebemos de nossos ancestrais. Temos consciência que “esperança” não é ficar sentados aguardando que alguma coisa aconteça. Como diz a música: quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Problemas climáticos atrasaram a colheita da soja e o plantio da safrinha de milho. E daí? Não é a primeira vez que acontece e vamos enfrentar novamente. Tal político traiu os votos do Agro. E daí? Não é novidade, não votaremos nele novamente. Foi proposto um novo projeto de Lei ou PEC que prejudicam o Agro e, por tabela, o Brasil. E daí? Não é novidade, vamos lutar para emenda-los ou derrubá-los. Há uma nova decisão do STF que prejudica o Agro e, por tabela o Brasil. E daí? Não é nenhuma novidade, vamos lutar para derrubá-la.
O que citei acima é o comportamento do povo do Agro. Pobre do país que governantes e produtores se acovardam diante de ataques externos visando dominá-los. A luta pela superação dos problemas é a mais nobre característica dos seres humanos desde tempos imemoriais.
Quanto a mim, continuarei a escrever os meus artigos, pelo menos, para que depois que me for as minhas netas, vivendo em um Brasil com apenas 40% dos territórios de hoje, possam exclamar orgulhosas: – “O vovô bem que avisou e ninguém ouviu”!
*Consultor em Agronegócio