A visão admirável das estratégias de Putin é reconhecida por seus adversários de forma sublinhar ou direta como, por exemplo Bill Perry, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos no governo Clinton que, em conferência, para não elogiar publicamente Putin, reconheceu erros dos Estados Unidos na estratégia de expandir a OTAN. George Kennan, americano estrategista da Guerra Fria, também usou de subterfúgios para elogiar as atitudes de Putin como líder soviético ao culpar os movimentos americanos nos arredores da Rússia como um equívoco imperdoável que poderia culminar numa nova guerra fria. Foi o modo diplomático que arranjaram para reconhecer que estavam diante de um grande líder mundial.
Putin encanta os admiradores de estrategistas porque não é fanfarão ou espalhafatoso. É o típico adversário difícil do qual não se colhe informações por manifestações destrambelhadas ou inoportunas. Seu desiderato são os insuspeitos interesses políticos e econômicos de seu país que sempre mira o pódio mundial. Putin não treina tiro no adversário. Sempre há uma precedente preparação prévia para suas ações. Não há possibilidade de retratação em suas ações porquanto são frutos de mesas sérias de debates. Mesmo seus mais ferrenhos adversários são unânimes em reconhecer sua seriedade e estratégia no tabuleiro.
As direções políticas e de negócios no mundo se inclinam para a admiração em massa dos líderes que se revelam estrategistas, natos ou adredemente preparados nas academias. Países – como condutores de negócios que afetam o bem-estar de pessoas – deveriam prestigiar as lideranças estrategistas que visam o bem-estar social, não as lideranças mequetrefes que espalham farofa e se lambuzam no vocabulário inadequado incapaz de vencer uma partida de dama com um ébrio, mas, sim, as lideranças em que cada movimento vai o interesse coletivo como norte das ações e que – mesmo nas crises agudas, com cheiro de pólvora – ainda há espaço para analisar e elogiar a postura da liderança. É a lição de Putin.