A Terra é azul! Azul, azul, azul…
De Norte a Sul.
“A Terra é azul!”
E inaugurou-se uma era em que as naves partem céleres furando as camadas da estratosfera.
Cá embaixo, cabisbaixos, rememoramos as lendas dos viajantes encantados.
Redescobrimos o verde das florestas, seus segredos, sua magia – quase uma liturgia.
Em toda situação há bônus e há ônus. Confusos e inoperantes assistimos ao mergulho da ignorância nos canais de rios e riachos a envenenar a vida em camadas visíveis e em malhas submersas.
Os saberes esquecidos, os sabores comprometidos – os abalos do clima ou crise climática, legião de fanáticos e o estertor da vida.
O meio ambiente é notícia nas páginas de jornais, nas TVs e redes informais.
O meio ambiente estremece diante do fogo que queima e das águas que isolam.
A Natureza reclama seu espaço sagrado, a falta de cuidados, amor e sabedoria.
É seca – chão tórrido, calor abrasador, seres em extinção.
São águas volumosas enjauladas em espaços roubados ao seu livre fluir.
Os artefatos tecnológicos vagueiam no espaço traçando rotas e alertas sobre a situação deflagrada, mas há a necessidade de ligar o pisca alerta da consciência da humanidade, sem a ação do ser humano nada se faz factível.
Já nos ensinaram os povos tradicionais, os nativos da terra, que meio ambiente não é apenas espaços e coisas ou o entorno, somos nós inseridos em todas as coisas, vidas e espaços e vice-versa – Tudo se reconecta em cada gesto recriando ou reduzindo a vida.
A Terra é azul! Azul, azul, azul…
Exclamou Gagarin, o Yuri, o da nave a circundar a Terra esférica.
O espaço se abriu em um mergulho da nave para o futuro.
Foi breve, foi a imersão dos humanos em novas dimensões.