O quarto filme do vingador mais forte chega aos cinemas com boas doses de humor, Guns’n Roses e uma revigorante estética colorida, mostrando que o tom apresentado em ‘’Thor: Ragnarok’’ veio para ficar. Não que esses não sejam bons elementos para compor um filme, eles só acabam não sendo o bastante para encobrir a superficialidade atroz do roteiro assinado por Taika Waititi (Jojo Rabbit) e Jennifer Kaityn Robinson (Alguém Especial).
A narrativa parece, a todo momento, desinteressada em contar uma história, com elementos postos nitidamente apenas a nível de embromação. A exemplo de uma breve e quase insignificante aparição dos Guardiões da Galáxia, que serviu apenas pelo aspecto introdutório e pela palavra de motivação; ou a apresentação de um deus logo no começo da história cujos poderes são desconhecidos e cuja aparição curta serve somente para catapultar os acontecimentos da história. Enfim, as inúmeras piadas, cores e rock não são nada além de um tapa buraco para a falta de substância do script. Não existe foco narrativo, ao final, sobram muitas perguntas que, sinceramente, o filme não tem a pretensão de responder.
Nem mesmo o esforço de atuações premiadas foi capaz de suprir tamanha carência de texto. Se por um lado, Christian Bale representa Gorr, o Carniceiro dos Deuses de maneira muito tangível, assustadora e humana, tropeça na redução de um arco interessantíssimo ao mínimo. Nos quadrinhos, o vilão decide exterminar os deuses após uma vida inteira de sofrimento, e apesar da motivação crível representada no cinema, ela poderia ter tido melhor aproveitamento. Da mesma forma, o desenvolvimento de Valquíria (Tessa Thompson), uma personagem muito valorosa, que esbanja potencial, é reduzido ao papel de sidekick; sua sexualidade mais uma vez é posta de lado, sendo mencionada em alguns pífios segundos de tela.
Apesar de tudo, o filme não é completamente reprovável, ele tem seus pontos positivos e sabe trabalhar com eles. O desenvolvimento de personagem do vingador mais forte pendeu para o lado mais humano, com todas as questões existenciais já apresentadas sendo trabalhadas com muita espontaneidade. Natalie Portman brilha como a Poderosa Thor, segurando com maestria todas as forças e fragilidades emocionais da personagem. O romance entre os dois, mais uma vez, funciona bem e acaba por ressaltar, ainda mais, a humanidade do deus do trovão. A narração de Korg (Taika Waititi), repleta de alívio cômico também carrega a história com charme e autenticidade, o que, aliado à estética, transmite alegria e conforto genuínos.
Mas, no fim das contas, é um filme que não consegue ultrapassar o medíocre. O excesso de piadas e a falta de conteúdo simplesmente decepcionam até mesmo dentro dos parâmetros da fórmula Marvel. Não é uma experiência ruim, mas funciona mais como comédia romântica do que filme de herói.