A narrativa gira em torno do assassino de aluguel de codinome Joaninha (Brad Pitt), que recebe a missão de embarcar num trem-bala para Morioka e discretamente roubar uma mala. O que, inicialmente, parece muito simples se torna um verdadeiro pandemônio quando ele descobre que, no mesmo trem, há assassinos muito mais perigosos que também querem a mesma coisa.
O processo construção das personagens é um ponto a se destacar, não só pelo elenco fortíssimo que traz grandes nomes do cinema norte-americano atual, tais como Sandra Bullock, Ryan Gosling, Zazie Beetz, Joey King etc. como também pela maneira como eles são apresentados e evoluem ao longo da história – não necessariamente para o bem. Cada um deles – inclusive uma cobra – é apresentado através de flashbacks e takes divertidos que, por vezes, lembram algum live-action de anime japonês.
Um dos aspectos mais interessantes da direção de David Leitch é justamente a forma como ele conduz as câmeras no mesmo tom de brincadeira que o próprio roteiro; nas montagens das cenas de ação, retrospectivas ao passado e até mesmo, o pov (ponto de vista em inglês) de uma garrafa da água. A todo momento, o longa se espetaculariza através do cômico, criando cenas de ação tão risíveis quanto absurdas. Até mesmo os temas-chave da narrativa (vingança, destino e karma) ganham contornos de humor muito eficazes nessa brincadeira.
Claro, seria um erro ir ao cinema acreditando que, só por conta do elenco e bons jogos de câmera trata-se de algum tipo de obra-prima, mas um grande ponto positivo é que o filme consegue ser realmente muito bom dentro do que se propõe, que é, justamente, entregar ao público ação e humor ácido na mesma medida. Vale ressaltar que Leitch também assina Deadpool 2, que também se desenrola através desses mesmos elementos narrativos. No geral, a execução acaba sendo muito gostosa, não só visualmente, com a ambientação quase que futurista de uma Tóquio vibrante, mas também pelo tom de deboche com que as personagens interagem e os próprios arcos também.
No fim das contas, toda a história soa como uma grande piada, no melhor sentido possível. Não há uma crítica social relevantíssima a se fazer ou muitos detalhes soltos para se perder. É uma trama bastante concisa e não deixa de ser prazerosa de assistir. Especialmente para quem gosta de algo mais descontraído, acaba sendo uma ótima pedida.
“Trem-bala” é baseado no homônimo de Kotaro Isaka e está disponível em todos os cinemas.