Só para contextualizar, a Av. Cora de Carvalho tem um problema grave de drenagem das águas pluviais, somente porque está localizada sobre um escoadouro natural das águas das chuvas, ou seja, sua localização desafia a mãe natureza. Muitas obras da Prefeitura já foram realizadas no local, com emprego de vultosas quantias de dinheiro público, sem que o problema seja efetivamente resolvido. A mãe natureza tem vencido de goleada os projetos arrojados da engenharia e única coisa que tem sido drenada com eficiência é a verba pública empregada no local. Ocorre que o ex-prefeito afirmou que havia chegado a hora das chuvas sofrerem uma derrota definitiva. Com dinheiro no tesouro e uma equipe eficiente – dizia ele – não havia como dar zebra ou entrar água no projeto. Deu ruim!
O ex-prefeito, nas suas entrevistas, cuidadosamente produzidas, com uma retaguarda midiática excelente, com capacete de segurança e tudo mais, afirmava durante a execução da obra que era chegada a hora de concretizar um projeto eficiente com emprego responsável do dinheiro público. Para ele não era mais tolerável não enfrentar com eficiência e responsabilidade o “caso de polícia” dos moradores da Av. Cora de Carvalho. Todos acreditaram, sobretudo os moradores, nas assertivas do ex-prefeito que falava respaldado em um suposto 70% de aprovação de sua gestão.
As cenas produzidas pelo professor, comediante e morador do infortunado trecho, Jackson Amaral, após o alagamento, foram de comover e revoltar qualquer um. Com a água acima da cintura, cena que bem ilustra o investimento às avessas na obra, o comediante dizia em alto e bom som que o ex-prefeito conseguiu piorar a situação dos moradores com a sua entrega “respaldada na eficiência e responsabilidade”. Na verdade, ex-prefeito tirou sarro com o comediante-morador e com todos os outros moradores.
A obra da Cora de Carvalho, entregue no crepúsculo da gestão, revela o desalinho entre o discurso e a prática do ex-gestor. Com o volume de recursos que tinha em caixa era para se esperar um emprego mais responsável dos recursos públicos na obra, comprometido com os anseios dos munícipes afetados por um infortúnio histórico. Os moradores foram vítimas de uma piada de mau gosto contada por quem não é do ramo. Se quisessem piadas pediriam ao seu ilustre morador, o comediante Jackson Amaral, que certamente faria um humor com melhor qualidade e sem que entrasse água. Tenho certeza!
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)
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