Disfarçada de um filme pipoca despretensioso, essa comédia é um grande acerto nacional da Netflix desse ano. Além do roteiro de qualidade, a história se desenrola de maneira fluida, encantadora e claro, hilária, girando no fim das contas, em torno de um questionamento bem simples: Para quê realmente serve o Natal
A trama acompanha Jorge (Leandro Hassum), um homem casado e pai de dois filhos que simplesmente detesta o Natal. Isso porque a data também é o dia do seu aniversário. Sem qualquer resquício de espírito natalino, Jorge lida com os mais típicos elementos do Natal brasileiro (inclusive a piadinha do pavê) com a maior aversão. Até que, após bater a cabeça com força, ele passa a acordar durante todos os natais sem se lembrar do resto do ano, como se cada um deles viesse sucessivamente ao outro. Por viver vários natais, ele logicamente vai vivendo muitos anos de sua vida, e assim, passa a fazer uma análise tão hilária quanto dramática da própria vida e de si mesmo.
Além do enredo bem pensado, que mescla de uma maneira estranhamente acertada algo entre ‘’Os Fantasmas de Scrooge’’ e ‘’Shrek’’ (Sim, Shrek), a valorização a cultura nacional agrega valor ao filme. Ele consegue retratar exatamente a ceia de Natal de uma família brasileira; com toda a comilança, as intrigas, perrengues e principalmente alegrias que fazem dessa data tão especial. Isso tudo sem mencionar a atuação fenomenal do elenco, que realmente eleva o nível do longa, entregando ao público um pouco mais que só comédia, apesar de o humor também ser um artifício utilizado na medida certa.
Não é à toa que o filme está fazendo sucesso mundial, chegando ao Top 10 da Netflix em países como a Espanha, Portugal, Alemanha, Suíça e até a Áustria. Rendendo boas risadas e aquecendo o coração, ‘’Tudo Bem no Natal Que Vem’’ é a cara do fim de ano.
Fada Madrinha (Disney+)
Cada vez mais, a Disney vem tentando modernizar seus contos de fada, trazendo princesas e personagens mais aventureiras e independentes. ‘’Fada Madrinha’’ é um perfeito exemplo disso, no mesmo estilo de ‘’Encantada’’ (2007), o filme segue uma direção mais contemporânea rumo ao ‘’felizes para sempre’’.
A história gira em torno de Eleanor (Jillian Bell) e Mackenzie (Isla Fisher). A primeira é uma fada, cujo maior sonho é se tornar uma fada madrinha; A segunda é uma mulher de 40 anos que após perder o marido, desiludiu-se totalmente com a ideia de um príncipe encantado. Quando a função de fada madrinha ameaça ser extinta, Eleanor, decidida que elas ainda são necessárias, decide amadrinhar a única garota que não teve seu desejo realizado: Mackenzie.
Apesar de todos os clichês de um filme produzido pela Disney, a trama é divertida e as piadas funcionam, graças a dinâmica antagônica de Jillian e Isla, enquanto a fada é desastrada, sonhadora e cheia de fé na humanidade, Mackenzie é sarcástica e estressada. Além do mais, o filme se preocupa em transmitir a abrangência do amor, e essa temática é explorada em toda a obra, seja no amor de Mackenzie pelas filhas, seja no amor que as garotas criam pela fada e assim por diante.
Apesar de parecer simples, a Disney consegue fazer sua mágica e transformar a história em um belo conto de fadas moderno, ela também se passa no Natal, o que dá um toque de encantamento a mais ao contexto. Não é exatamente uma grande produção, mas é um bom filme natalino.
Vivian Soares