O fantasma da inflação desafia e assusta o mundo. Os pagadores de impostos (falsamente chamados de contribuintes) apenas sentem a inflação quando se tornam consumidores, compradores, por isto mesmo vale a pena defini-la: no Brasil Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços. Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação. O IBGE produz dois dos mais importantes índices de preços: o IPCA, considerado o oficial pelo governo federal, e o INPC. O propósito de ambos é o mesmo: medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população. O resultado mostra se os preços aumentaram ou diminuíram de um mês para o outro.
No Brasil a nossa meta de inflação proposta pelo governo é de 4,5% ao ano, na União Europeia a tolerada é de 2%. Diferentemente da União Europeia onde a taxa inflacionária é ‘tolerada’ em nosso país é uma meta. Aqui fomos treinados a aceitar a meta inflacionaria proposta pelo governo e é encarada, por quem manda, como um desafio que todos nós devemos aceitar. Temos que engolir índices medidos pelo IPCA e IPC, que a grande maioria da população desconhece. O que nos alerta sobre a inflação é a ‘carestia’, o aumento dos preços dos produtos que compramos, notadamente dos alimentos que não podemos reduzir sob pena de ‘passarmos fome’.
A União Europeia enfrenta o desafio de reduzir a sua inflação para 2%. A Reuters publicou, em 7 de junho de 2024, a matéria “Decisores políticos do BCE alertam sobre o desafio da inflação”, assinada por Balazs Koranyi, que transcrevo para melhor entendimento do leitor.
“Os legisladores do Banco Central Europeu alertaram nesta sexta-feira que o estágio final de redução da inflação para 2% poderia ser especialmente difícil, mas disseram estar confiantes de que a política estava funcionando conforme o esperado, enquanto alguns até viram espaço para flexibilizá-la ainda mais em 2024. O BCE cortou as taxas de juro de máximos históricos na quinta-feira, numa medida há muito telegrafada, mas evitou qualquer promessa de flexibilizar ainda mais a política depois de os dados sobre a inflação e o crescimento salarial nas últimas semanas terem ficado acima das suas expectativas, indicando que precisará de ainda mais tempo para cumprir seu alvo.
O maior alerta veio talvez da Alemanha, a maior economia da zona euro, que despejou água fria sobre as sugestões de que um grande aumento salarial este ano seria um caso isolado. “Espera-se que os salários negociados aumentem de forma particularmente acentuada este ano e continuem a registar um forte crescimento depois disso”, afirmou o Bundesbank. “A inflação está se mostrando teimosa, especialmente no caso dos serviços.” Os aumentos salariais aumentam os rendimentos disponíveis e, portanto, exercem pressão ascendente sobre os preços, especialmente em sectores sensíveis aos salários, como os serviços.
O chefe do Bundesbank, Joachim Nagel, disse que o corte das taxas de quinta-feira não foi prematuro dado o progresso na inflação, mas também disse que o BCE não estaria no piloto automático para novos cortes nas taxas. O austríaco Robert Holzmann, o único decisor político a opor-se ao corte de quinta-feira, disse que a inflação era mais rígida do que o BCE previa, pelo que o banco precisava de agir com mais cautela no futuro. O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, disse que a inflação ainda pode subir em relação aos níveis atuais, antes de cair para 2% no final do próximo ano, tornando os próximos meses difíceis.
“Haverá meses em que a inflação poderá até acelerar ligeiramente, mas estamos convencidos de que no próximo ano ela irá convergir com a meta”, disse ele à rádio espanhola Onda Cero. “Os próximos meses não serão fáceis”, disse ele. Embora a maioria dos decisores políticos se tenha abstido de fazer previsões políticas, Gediminas Simkus, da Lituânia, sugeriu que poderia haver espaço para uma maior flexibilização este ano. Quando questionado se seria possível uma maior flexibilização monetária este ano, Simkus disse: “Se a economia se desenvolver de acordo com as previsões, penso que sim, sim”.
Os mercados preveem entre um e dois cortes este ano e um total de quatro cortes entre agora e o final do próximo ano na taxa de depósito de 3,75%. Os economistas argumentam que qualquer taxa igual ou superior a 3% restringe o crescimento económico, pelo que a política do BCE continuará a travar a economia durante o próximo ano. O mais próximo que a presidente do BCE, Christine Lagarde, chegou de prever movimentos futuros na quinta-feira foi quando disse que havia uma “forte probabilidade” de que o corte de quinta-feira não fosse um caso isolado, mas sim o início de um processo de redução.
Os legisladores que falaram com a Reuters na quinta-feira, no entanto, disseram que qualquer medida em julho é altamente improvável e que a próxima janela possível para cortar as taxas seria em setembro, desde que os dados anteriores a essa reunião apoiassem tal medida. Isabel Schnabel, membro do conselho do BCE, que já pediu uma pausa em julho, matizou as suas palavras na sexta-feira, evitando qualquer comentário específico sobre a próxima reunião.
“Como as perspectivas de inflação futura permanecem incertas, não podemos pré-comprometer-nos com uma trajetória de taxa específica”, disse ela.”
Enquanto a União Europeia luta para trazer a inflação para o patamar tolerado de 2% aqui em nosso país somente quem luta para reduzir a inflação é o Banco Central que por isso é duramente criticado pelo Executivo. O Governo Federal não tem feito nenhum esforço para reduzir a nossa inflação crescente. A inflação oficial divulgada é de 5,5% enquanto nas prateleiras dos supermercados está beirando 15% ou mais. Como afirmei, enquanto pagador de impostos e comprador que todos os brasileiros são, as únicas atitudes que venho testemunhando é do Banco Central.
Enquanto o Banco Central se esforça para reduzir a inflação as despesas governamentais beiram ao exagero. Ouvi o Ministro da fazenda dizer que fez um périplo pela Europa para ouvir o Papa, as autoridades da Espanha e de outros países sobre os seus planos arrecadatórios às custas, naturalmente, dos pagadores de impostos brasileiros. Chegou a afirmar que o Brasil seguirá as políticas econômicas de outros países com realidades totalmente diversas das nossas. Temos sustentado viagens milionárias das ditas autoridade. O que testemunhamos hoje é a ‘gula arrecadatória’ aumentando a nossa carga tributária e das empresas que geram emprego, distribuição de riquezas e que sustentam este país, provocando o aumento da inflação.
“O governo é um bebê: um canal alimentar com um grande apetite numa ponta e nenhum senso de responsabilidade na outra” – Ronald Reagan.
UE enfrenta desafio da inflação.
Alemanha despeja água fria sobre aumento salarial.
