O período quaresmal, apesar de muito importante para o catolicismo como um todo, é pouquíssimo explorado na Bíblia. Correspondendo ao período de 40 dias e 40 noites que Jesus passou no deserto orando e jejuando, ele é narrado em apenas onze versículos. O filme de Rodrigo García se aproveita dessa lacuna e cria uma ficção história que narra os acontecimentos desse período no deserto.
Nele, Jesus (Ewan McGregor) caminha em sua jornada de autoconhecimento pelo deserto quando começa a ser tentado por Satanás (Ewan McGregor). Quando uma família lhe oferece moradia temporária, Ele percebe uma série de conflitos internos mal resolvidos. O filho (Tye Sheridan), um jovem curioso quer ver o mundo e conhecer as grandes cidades, a mãe (Ayelet Zurer) esconde do pai que, na verdade, o filho não é dele e o pai, prende o filho a uma vida simples no deserto por achar que é o melhor para ele. Eis que começa uma aposta, o diabo desafia Jesus a terminar esse conflito de uma forma que nenhum deles saia magoado.
A trama tem pouca tendência catequética e muito mais questionamentos filosóficos, tendo em Satanás a dúvida, a descrença, a inquisição e em Jesus a fé. Abordando temas como a irrefragabilidade da morte, o padrão cíclico de acontecimentos na vida e a imutabilidade do homem, a teia de acontecimentos se desenrola.
Trazendo reflexões profundas, ‘’Últimos Dias no Deserto’’ é de uma qualidade surpreendente.
Eu Só Posso Imaginar (TelecinePlay)
É fato que a música, normalmente, é um reflexo de experiências pessoais do próprio artista. Em ‘’Eu Só Posso Imaginar’’, esse reflexo é retratado através da história real de Bart Millard, um cantor de rock cristão, cujas vivências levaram a compor a música gospel de maior sucesso nos Estados Unidos até hoje.
O filme começa com um questionamento acerca de como Bart (J. Michael Finley) conseguiu escrever uma música tão inspiradora, imediatamente, ele começa a se lembrar de toda a sua trajetória até aquele dia. Com um relacionamento totalmente conturbado com o pai (Dennis Quaid), e tendo que lidar com o abandono da mãe (Tanya Clarke), o cantor teve uma vida difícil e repleta de sofrimento, mas ao longo da busca pelo grande sonho, ele encontrou na fé um refúgio para si.
Há dois grandes pontos fortes no filme: A voz poderosa de J. Michael Finley, que entrega uma trilha sonora fortíssima, e a mensagem de perdão como forma de redenção que funciona para todos os lados do enredo. Com atuações carregadas de verdade de todas as partes, a história progride num ritmo fluido e se mantém nele até o fim.
Apesar de seu viés fortemente religioso, a pauta central do filme é justamente o relacionamento entre Bart e seu pai, que foi sua maior inspiração para compor sua música mais famosa: ‘’I Can Only Imagine’’. Com isso, a trama entrega uma bela história com lições e reflexões muito necessárias.