As poesias concretistas passam a utilizar os mais diferentes formatos, como círculos, cascata e até palavras formadas por outras palavras. Nesse momento, o que importa para o artista concretista não é o poema em si, e sim a parte visual da poesia. Por muitas vezes, a imagem se sobrepõe às palavras, pois para o artista concretista, o visual do poema deveria ter mais destaque.
No Concretismo, os artistas tinham como questionamento o uso tradicional do espaço em branco do papel ou da tela. Então, decidiram que não iriam se limitar a escrever da esquerda para a direita e de cima para baixo: Da forma tradicional de leitura ocidental. Essa característica ficou conhecida como “poesia espacial”, dando, assim, aos artistas várias possibilidades de usarem a imaginação e a criatividade.
COCA-COLA
B E B A C O C A C O L A
B A B E C O L A
B E B A C O C A
B A B E C O L A C A C O
C A C O
C O L A
C L O A C A
(Décio Pignatari)
De fato, o que realmente define o poema realista? Se formos analisá-los, veremos que os artistas usam a decomposição de palavras, ou comutação. Isso nos faz ver, de forma bem clara, que as palavras dão origem a outras palavras iguais ou semelhantes, sendo isso uma das maiores características que define o poema concretista, permitindo que a pessoa que vê a poesia faça diversos tipos de leitura, tanto na questão do sentido das frases, como na interpretação do conjunto das palavras.
Os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos, juntos com Décio Pignatari foram, no Brasil, os principais criadores do movimento concretista, os quais, por já se conhecerem e terem se desentendidos como membros do grupo do Clube da Poesia, os quais também faziam parte, resolveram então se separar e fundar a sua própria revista, que recebeu o nome de “Noigandres” em 1952 que é considerada até hoje marco inicial do movimento que tem a sua Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paul (MAM)
O Concretismo buscou na visualidade um dos suportes para atingir rupturas radicais com a ordem discursiva da língua portuguesa com a intenção de produzir obras que usassem elementos próprios das linguagens, a princípio: planos e cores, as se difundir para outras linguagens.
A poesia concreta inaugurou um novo estilo que norteou a poesia brasileira pós-modernista, a partir de uma poesia visual, com utilização de efeitos gráficos, de forma que a palavra concreta representa o objeto real (palavra-objeto). Dessa forma, a poesia concreta absorve somente a palavra, ou seja, “a palavra-objeto”, sem que haja preocupação com estruturas literárias, desde estrofes, versos e rimas. A partir disso, há o predomínio de imagens em detrimento ao caráter discursivo da poesia.
Desta forma, os concretistas aspiravam uma nova literatura, uma nova arte, baseada no experimentalismo rompendo com versos longos e discursivos. Com isso, os poetas apostaram na concisão, no rigor e na precisão ao criarem poesias visuais com imagens que possibilitavam múltiplas leituras.
CINCO, de JOSÉ LINO GRÜNEWALD
CINCO
1
2 2
3 3 3
4 4 4 4
C I N C O
LUA NA ÁGUA, de PAULO LEMINSKI
AMOR, de JORGE A. M. MAIA
A M O R
R O M A
A R O M A
TRANS – FORMÇÃO, de JORGE A. M. MAIA
T R A N S
F O R M A Ç Ã O
I N F O R M A
R E F O R M A
T R A N S F O R M A
A Ç Ã O