Certo dia, em conversa com uma profissional de contabilidade, jorrando dúvidas e dores, questionei a tributação recorrente em dada situação e, de uma forma quase inaudível, obtive a seguinte resposta: “entra governo, sai governo e ficam só inventando uma nova cor para o céu, ao final, é só aumentando obrigações principais e acessórias” …
Eu ri, com um gosto amargo na boca, acenei que sim com a cabeça. Foi quando me ocorreu que os novos sentidos (cores, significados, tipos e códigos) estavam diuturnamente sendo empurrados goela abaixo de todos, independente do (des)sabor que cada um sentia. E isso incluía não só obrigações com o fisco, mas com todos esses novos discursos sociais entulhados em roteiros de autoridades e imposições de leis ou regulamentos ou decretos ou portarias ou resoluções.
É provável que não nos tornamos menos conscientes com o passar da idade, nem menos resolutos, porém mais ordeiros, menos impetuosos e menos ainda sonhadores. É no costume social empunhado contra nós que mora o dessabor, mas que, depois, vira “atitude adequada, estilo moderno, melhor jeito de se relacionar ou de ter bom trato social”. O susto vira costume, que se incorpora na cultura e, depois, cai para o inconsciente coletivo. Daí, toma gerações inteiras da humanidade.
Em outra proza curiosa, um amigo contou de sua perplexidade, quando ouviu o discurso do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ele, encontrou certa dose de diversão, escutando aquelas palavras de autoridade, ainda mais vindo de um Juiz da Suprema Corte do país. O assunto, ao que parecia, contornava a tão solapada democracia brasileira.
Dizia meu amigo que todo mundo, no Brasil, tinha mania de falar da democracia, de comentar sobre a obrigação de respeitá-la. Contudo, quando algo ou alguém divergia em um ou outro ponto, o discurso de quem iria perder a razão se socorria imediatamente da democracia, para se puxar a brasa para seu espeto.
Ninguém perde aplausos, se defender seu ponto de vista com uma palavra tão cara quanto essa. Afinal, tem que ter democracia nas relações jurídico-sociais. Tem que ter?! E nós da Amazônia, que divergimos de tudo o que tem vindo para nós? E, quando reclamamos, não é democracia. A democracia não nos atende, porque nós somos bandidos, destruidores da natureza e, principalmente, somos incultos!
É muito importante proferir que a Amazônia existe e “funciona” com e conforme a cultura dos homens que aqui estão. São homens desatendidos pelos braços do Estado. São homens sentados sobre grandes riquezas minerais, que, justamente, vieram para cá exatamente por ter a cultura que têm: de desbravadores, de exploradores do novo, de seres nunca estimulados por qualquer assistencialismo governamental. Até porque o governo não nos enxerga.
E, numa constatação perspicaz, esse amigo disse-me: “(…) porque, se esses homens daqui estivessem numa cultura melhor, como as autoridades apregoam, estariam na malandragem, certamente estariam lá na praça das drogas ilícitas, mas por eles terem essa cultura inferior, essa índole de trabalho, eles estão aqui, trabalhando com a cultura que têm”.
Democracia brasileira: a impressão que temos, de onde estamos, é que o reclamo do mais agredido socialmente, do que se sente contrariado, desprovido do pedaço do bolo, pode e deve criar sua narrativa e enfeitar bem seu discurso com a palavra democracia. Depois, disseminar e investir alguns milhões de moedas correntes nessa falação, porque isso rende muitos adeptos, papagaios- com todo amor e carinho aos papagaios.
Quem nunca arrazoou sobre democracia que lance a primeira pedra. A primeira coisa, num embate, o que se fala é “vamos ser democráticos”, quer dizer, não venha contrariar minha posição, para que não lhe tenha como antidemocrático. É quase como disparar contra a razão, se ela estiver de lado diferente, do lado oposto.
Então, dizemos ser democráticos, no intuito de eliminar a razão do oponente. E uma coisa que o ser humano jamais deseja perder, em qualquer contenda, qualquer disputa, qualquer questão, é a razão.
A razão, muitas vezes, supera a própria “verdade do momento”, da mesma maneira que, acima de qualquer poder imposto ou autoimposto, deveríamos encontrar o respeito. Esse respeito fica, por evidente, soberano ao próprio rei, porque o rei, sem respeito, não conseguiria impor, nem se fazer seguido no que diz.
O embate da vez é a gritaria da “esquerda” contra a “direita”. E o Brasil tem esquerda? O homem de esquerda, obrigatoriamente, deveria ser culto. A própria defesa da esquerda mostra que da direita provêm a produção e o mercado. Como aconteceria a implantação dos planos e sonhos do esquerdista, social e economicamente, sem a produção e o capital? O que temos, no Brasil, aproxima-se do comunismo: uma negação das necessidades, da realidade, da responsabilidade. Com isso, a todo momento, ouvimos uma grita pelo quê? Pela democracia!
Assumir o poder estatal, implantar a redistribuição de renda, dividir a produção, nivelando, é fazer prevalecer uma ordem ditatorial que tolhe a inventiva humana, num estágio mais subjetivo. E, em última análise, essa democracia que se levanta em discursos é a própria desconstrução do talento humano, que retira o ímpeto de iniciativa, de esforço e de evolução naturais e inerentes à humanidade.
Eu ri, com um gosto amargo na boca, acenei que sim com a cabeça. Foi quando me ocorreu que os novos sentidos (cores, significados, tipos e códigos) estavam diuturnamente sendo empurrados goela abaixo de todos, independente do (des)sabor que cada um sentia. E isso incluía não só obrigações com o fisco, mas com todos esses novos discursos sociais entulhados em roteiros de autoridades e imposições de leis ou regulamentos ou decretos ou portarias ou resoluções.
É provável que não nos tornamos menos conscientes com o passar da idade, nem menos resolutos, porém mais ordeiros, menos impetuosos e menos ainda sonhadores. É no costume social empunhado contra nós que mora o dessabor, mas que, depois, vira “atitude adequada, estilo moderno, melhor jeito de se relacionar ou de ter bom trato social”. O susto vira costume, que se incorpora na cultura e, depois, cai para o inconsciente coletivo. Daí, toma gerações inteiras da humanidade.
Em outra proza curiosa, um amigo contou de sua perplexidade, quando ouviu o discurso do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ele, encontrou certa dose de diversão, escutando aquelas palavras de autoridade, ainda mais vindo de um Juiz da Suprema Corte do país. O assunto, ao que parecia, contornava a tão solapada democracia brasileira.
Dizia meu amigo que todo mundo, no Brasil, tinha mania de falar da democracia, de comentar sobre a obrigação de respeitá-la. Contudo, quando algo ou alguém divergia em um ou outro ponto, o discurso de quem iria perder a razão se socorria imediatamente da democracia, para se puxar a brasa para seu espeto.
Ninguém perde aplausos, se defender seu ponto de vista com uma palavra tão cara quanto essa. Afinal, tem que ter democracia nas relações jurídico-sociais. Tem que ter?! E nós da Amazônia, que divergimos de tudo o que tem vindo para nós? E, quando reclamamos, não é democracia. A democracia não nos atende, porque nós somos bandidos, destruidores da natureza e, principalmente, somos incultos!
É muito importante proferir que a Amazônia existe e “funciona” com e conforme a cultura dos homens que aqui estão. São homens desatendidos pelos braços do Estado. São homens sentados sobre grandes riquezas minerais, que, justamente, vieram para cá exatamente por ter a cultura que têm: de desbravadores, de exploradores do novo, de seres nunca estimulados por qualquer assistencialismo governamental. Até porque o governo não nos enxerga.
E, numa constatação perspicaz, esse amigo disse-me: “(…) porque, se esses homens daqui estivessem numa cultura melhor, como as autoridades apregoam, estariam na malandragem, certamente estariam lá na praça das drogas ilícitas, mas por eles terem essa cultura inferior, essa índole de trabalho, eles estão aqui, trabalhando com a cultura que têm”.
Democracia brasileira: a impressão que temos, de onde estamos, é que o reclamo do mais agredido socialmente, do que se sente contrariado, desprovido do pedaço do bolo, pode e deve criar sua narrativa e enfeitar bem seu discurso com a palavra democracia. Depois, disseminar e investir alguns milhões de moedas correntes nessa falação, porque isso rende muitos adeptos, papagaios- com todo amor e carinho aos papagaios.
Quem nunca arrazoou sobre democracia que lance a primeira pedra. A primeira coisa, num embate, o que se fala é “vamos ser democráticos”, quer dizer, não venha contrariar minha posição, para que não lhe tenha como antidemocrático. É quase como disparar contra a razão, se ela estiver de lado diferente, do lado oposto.
Então, dizemos ser democráticos, no intuito de eliminar a razão do oponente. E uma coisa que o ser humano jamais deseja perder, em qualquer contenda, qualquer disputa, qualquer questão, é a razão.
A razão, muitas vezes, supera a própria “verdade do momento”, da mesma maneira que, acima de qualquer poder imposto ou autoimposto, deveríamos encontrar o respeito. Esse respeito fica, por evidente, soberano ao próprio rei, porque o rei, sem respeito, não conseguiria impor, nem se fazer seguido no que diz.
O embate da vez é a gritaria da “esquerda” contra a “direita”. E o Brasil tem esquerda? O homem de esquerda, obrigatoriamente, deveria ser culto. A própria defesa da esquerda mostra que da direita provêm a produção e o mercado. Como aconteceria a implantação dos planos e sonhos do esquerdista, social e economicamente, sem a produção e o capital? O que temos, no Brasil, aproxima-se do comunismo: uma negação das necessidades, da realidade, da responsabilidade. Com isso, a todo momento, ouvimos uma grita pelo quê? Pela democracia!
Assumir o poder estatal, implantar a redistribuição de renda, dividir a produção, nivelando, é fazer prevalecer uma ordem ditatorial que tolhe a inventiva humana, num estágio mais subjetivo. E, em última análise, essa democracia que se levanta em discursos é a própria desconstrução do talento humano, que retira o ímpeto de iniciativa, de esforço e de evolução naturais e inerentes à humanidade.