A devoção a Nossa Senhora de Nazaré remonta ao início da colonização portuguesa no Brasil. O termo círio vem da palavra latina “cereus”, que significa vela ou tocha grande. Por ser a principal oferta dos fiéis nas procissões em Portugal, com o tempo o termo passou a ser sinônimo da procissão de Nazaré em Belém e de muitas outras cidades pelo interior do estado.
De acordo com a história sobre o Círio de Nazaré: O caboclo Plácido José de Souza encontrou, no ano de 1793, uma pequena imagem de Nossa Senhora às margens do Igarapé Murutucu, onde hoje fica os fundos da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. O caboclo levou a imagem para casa, mas não a encontrou no dia seguinte. A santa foi localizada novamente no igarapé.
O fato repetiu-se durante alguns dias e a notícia do “desaparecimento” se espalhou, provocando a intervenção das autoridades civis e eclesiásticas, fazendo com que fosse levada para o Palácio do Governo, para o Paço Episcopal e à recém-erguida catedral, de onde ela também sumiu, sendo encontrada mais uma vez no Igarapé Murutucu. Entendendo que era o desejo da Virgem permanecer no igarapé, a comunidade católica de Belém construiu uma ermida no local onde a imagem foi encontrada, o que deu início à romaria e à devoção do povo da capital paraense.
Na tarde de 8 de dezembro de 1793, foi realizado o primeiro Círio, saindo do palácio do governo. Este roteiro se manteve até 1881. Em 1854, o círio passou a ser realizado de manhã, para evitar as chuvas, que são mais comuns no período da tarde. E somente em 1882, o bispo dom Macedo Costa e Justino Ferreira Carneiro, Presidente da província, resolveram que o ponto de partida seria a Catedral de Belém, como é até hoje.
É muito comum saber de diversas histórias sobre milagres alcançados por muitos dos fiéis que estão a acompanhar o Círio de Nazaré a cada ano. Diversos milagres são atribuídos à Nossa Senhora. Desta forma, não é difícil de ver as pessoas indo ao Círio para agradecer à Nossa Senhora por estas graças alcançadas. Sendo assim, muitos fiéis não medem esforço para chegar até a cidade de Belém para agradecer por estas graças. Muitas pessoas saem de suas cidades e percorrem a pés vários quilômetros até a basílica de Nazaré, percurso este que chega a levar varias horas ou até mesmo dias de duração.
Estas pessoas são chamadas de Romeiros (aqueles que vão para outras cidades para participar de um ato religioso) ou seja, saem em romaria e que de acordo com o historiador, Roberto Ribeiro, “romaria” tem relação com Roma e quer dizer “todos os caminhos levam a Roma”. Surgiu quando fieis andavam longas jornadas, de suas cidades em direção a Roma, até a sede da Igreja Católica, no Império Romano, para visitar os túmulos de São Pedro, São Paulo e outros santos, ou para as festividades, de perfil cívico religiosas ou para os jogos no coliseu. Como é o caso de muitos romeiros que caminham ou pedalam longas distâncias de outras cidades paraenses até Belém, como os que moram ou vão até Castanhal, onde percorre mais de 160 quilômetros para o Círio de Belém.
Esse ato, também, é conhecido como Peregrinação, palavra de origem latina (peregrē), que está ligada ao sentido de chegar em um ponto predeterminado, não há necessariamente um cortejo, pode ser feita de maneira individual e relacionada àquele que se desloca em terras estrangeiras, geralmente com o objetivo da busca espiritual, em outra região que não a sua. O termo “Peregrino” surge pela primeira vez na língua portuguesa no século XIII, referindo-se aos cristãos que viajavam para Roma ou à Terra Santa, “para visitar os lugares sagrados.
As principais romarias se dão dias e horas antes da própria procissão do Círio a começar pelo translado da imagem da Virgem de Nazaré. O traslado consiste no primeiro percurso feito pela Imagem de Nossa Senhora de Nazaré durante o Círio. A imagem segue em cima de um automóvel, da Basílica de Nazaré até a Igreja de Nossa Senhora das Graças (igreja matriz), que fica em Ananindeua, município vizinho de Belém. Lá, a santa permanece durante a noite, acompanhada por uma vigília de fiéis.
E após a vigília noturna em Ananindeua, a imagem da santa segue para a Vila de Icoaraci, em Belém, e é acompanhada por ambulâncias e carros de autoridades oficiais, como polícia, bombeiros, etc.
E na Romaria Fluvial, conhecido também como Círio fluvial, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré segue de barco pela Baía do Guajará, de Icoaraci até o cais do porto da cidade de Belém, e é acompanhada por canoas, Jet Skis, barcos e iates enfeitados para homenagear a santa.
A trasladação é uma procissão que acontece uma noite antes do Círio propriamente dito. Durante o seu percurso, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é conduzida em uma berlinda atrelada a uma corda de cerca de 400 metros. Na trasladação, a santa segue do Colégio Gentil Bittencourt e para a Catedral da Sé, em uma berlinda carregada por pessoas, ou seja, sem auxílio de nenhum automóvel.
O percurso da trasladação ocorre no sentido oposto ao do percurso da Procissão do Círio, a qual reúne mais de 2 milhões de fiéis e segue um trajeto que vai da Catedral da Sé até a Basílica de Nazaré. Esta romaria é considerada o auge do Círio. O percurso começa com a celebração de uma missa e em seguida, a imagem da santa é conduzida pelo arcebispo até a berlinda, para seguir o trajeto até a basílica.
Muitos devotos formam um cordão humano ao longo da corda. Alguns seguem descalças, outros carregam com eles crucifixos, imagens da santa e/ou objetos que estejam relacionados com alguma graça alcançada, como forma de agradecimento ou pedido. Chegando lá, a santa fica em exposição ao público durante uma semana, na praça do santuário.
O Círio de Nazaré é também conhecido como o “Natal dos Paraenses” onde as famílias se reúnem para almoçar e confraternizar com este momento tão importante de fé e devoção à Virgem de Nazaré. É uma festa grandiosa que meche com todos os ramos da sociedade, envolvendo culinária, arte, religiosidade e etc. Além do preparo da festa, é muito bonito encontrar casas e ruas enfeitadas para saudar Nossa Senhora de Nazaré.
MÃE DE MILAGRES
Quando as velas giram
Sobre as cabeças
É sinal que a procissão saiu.
Em cada lume na crista do fogo
Eu vejo mãezinha com seu manto
Sagrado bordado de mãe.
(Cássio Pontes e Jorge Maia)