Há pouco tempo, um grande amigo jornalista, que fora ancora de um famoso programa de entrevistas, enviou-me a gravação com um senhor chegante a 90 anos, onde o entrevistado questionava a dificuldade de brasileiros em serem honrados com o prêmio Nobel da paz. Vezes chegamos perto e tudo ficou longe. A pergunta veio então àquele senhor: “Por que essa dificuldade em relação a este reconhecimento”? A resposta daquele venerável, cujo nome é Ozires Silva, gigante sonhador e fundador da EMBRAER, foi curta e objetiva: “O Brasil sempre destrói seus maiores heróis, promovendo por emoções ou interesses, a outros que realmente não merecem a homenagem”.
O pior de tudo é que tem muita verdade contida nisso aí, mas muito mesmo. A cova nacional de anonimato é gigantesca e abriga autênticos valores e estadistas que também jamais foram ilustres. No entretanto, o que nossas emoções latinas produzem de “grandes homens”, “grandes políticos”, “grandes idealistas”, transforma a ideia do reconhecimento em um espetáculo coadjuvante ao mundo circense da política.
Na própria história, encontramos personagens vistos de maneira bem contrária ao comportamento que tiveram e contrariando a outros que mais apareceram na ocasião.
Num repasse histórico, podemos perceber por exemplo que na epopeia da batalha de Guararapes o elemento conhecido por nós como traidor, Calabar, na verdade foi tão somente leal ao time em que jogava. Mas, como é o vencedor quem conta a história, já se escreveu diferente.
Apesar de mineiro, até a história do nosso Tiradentes é nebulosa como grandes letras e livros escritos sobre sua pessoa. Na verdade, ele não foi bem o herói da inconfidência mineira, muito pelo contrário, dela foi apenas o mais boquirroto. Os verdadeiros heróis e mentores daquela inconfidência, nacionalmente são todos esquecidos, e em Minas só não o são porque viraram nome de ruas na capital do estado. O Tiradentes coitado, estava na prisão no Rio de Janeiro, com os outros, há praticamente dez anos pelo crime de sedição contra a coroa, quando surgiram outros levantes costumeiros nas minas. E mineiro tem uma coisa engraçada, o das Minas, não das Gerais, sempre dispostos a receber com aplausos aos membros da coroa e seus enviados, porém sempre os primeiros a estarem produzindo revoltas contra eles, a independência econômica representada pelo ouro, como hoje ainda, lhes permitia isso. Assim, para dar exemplo, foi o escolhido pela Coroa para morrer enforcado, esquartejado e exibido como recado a mineirada sempre politicamente malcomportada.
O azar dos senhores da colônia brasileira, foi que por ter ficado muito tempo encarcerado, o Alferes Xavier (Tiradentes), barba e cabelo não fazia, estavam enormes e por ele ainda ser relativamente novo, ainda um tanto amorenados. Como naquela ocasião não existia nenhum espertalhão em marketing político, a guarda condutora ao cadafalso, ignorante o vestiu com uma túnica branca até os pés e sandália, permitindo ainda que no pescoço usasse um crucifixo. Seguindo a pé pelas ruas centrais do Rio de Janeiro, não tardou que o povo que assistia aquela bestial execução ligasse sua aparência a Jesus Cristo. Passo importante de coadjuvante a herói e idealista nacional. Cláudio Manoel, Alvarenga Peixoto e tantos outros inventores da senha “UAI”, tão usada pelos mineiros, atropelados pelas emoções provocadas, nem lembrados.
Um bandeirante, velho garimpeiro, Diogo Jorge, O Velho, também grande responsável pela unanimidade territorial deste país, sem reverencias, principalmente porque também hoje, seria visto como politicamente incorreto. Deu cacete em atuantes ordens religiosas políticas em nosso território.
Tudo acima é para mostrar que a cultura brasileira tem um problema com a verdade. Tudo que aqui se procura construir tem que se lançar mãos de mentiras, ou histórias fantásticas para que se tenha seus objetivos atingidos.
Aqui na Amazônia o caldeirão da maldosa informação(mentira) ferve mais que qualquer bruxaria ou macumba de encruzilhada. O curioso e que nos deveria envergonhar muito, é que aqui nessa terra de homens trabalhadores e sérios a tal MENTIRA tornou-se o melhor capital para arrecadação financeira ilícita, uma mentira aqui e outra acolá, correm a sacolinha lá vem dinheiro, e não pouco. A inverdade ambiental tomou conta e em dado muito capital.
Até nossa gente com cultura menos afetada pelas novas ordens civilizatórias, que são os índios, não têm mais podido exibir suas próprias lideranças, atropeladas que são por figuras, vezes da própria etnia, outras, moradoras em cidades que se tornam “líderes” perante a Nação através de televisão, jornal e imprensa. A cada ano, a cada mês e hora surge uma figura diferente.
E nosso governo parece ter um problema de comunicação inteligente com o próprio povo que o apoia. Ninguém compreende por que ele próprio não procura o estabelecimento de uma útil verdade para que esse país possa viver em paz e encontrar as qualidades naturais em sua gente. Que isso????
Antes de terminar não poderia deixar de dizer que o justo merecedor de aplausos Ozires da Silva, quando já ministro, foi lembrado que a EMBRAER fundada com dinheiro do contribuinte brasileiro, com os famosos 2% nos impostos de renda de todos, que se vendida pelo governo, acabaria em mãos do sedento empresariado paulista; nada pode fazer. Quem por ela pagou, bem esquecido foi. E os ambiciosos ainda andaram querendo vendê-la para a BOEING e ainda se dizem nacionalistas orgulhosos da marca.
Única real VERDADE, de empresários e políticos brasileiros: DINHEIRO. Doença perigosamente contagiante…