Quisera ouvir-te, amor,
a leveza dos sons das palavras tuas, nuas…
Quisera ver-te, amor,
imagens felizes sempre ao meu lado…
Quisera nosso reencontro, amor,
encontrar-te, sereno e firme, imponderável.
Quisera abraçar-te, amor,
um abraço de pura magia e encanto infindável.
Vislumbro teu vulto ao longe, bem longe,
indistinto, sumir nas brumas de mil faces.
Vislumbro as saudades, saudades bandidas,
do que poderia ter sido e nunca foi ou será.
Por que lágrimas escorrem pelas faces?
Descortino neste no voo, célere voo,
em busca de um vão para te avistar,
crianças, jovens e velhos imolados sem perdão.
Todas as gentes que se pode imaginar,
jogados às margens das vias a perambular,
engolidos por egoísmos, maldades, ostracismo,
carentes da vida que poderia ter sido e nunca será.
Clama por quem no deserto humano?
Amada Esperança, venha estar comigo,
traga a alegria, chama cristalina, a iluminar,
manifestar novas vias de bem amar e sonhar.
Enlaça-me em um abraço e leva-me em uma dança.
Interminável dança de agregar lembranças
com passos mirabolantes e novas cantigas
rimando com vida, compaixão sentida…