Esta semana ouvindo um trecho da obra de Walt Whitman magistralmente vivo na interpretação de Robin Willians, no filme A Sociedade dos Poetas Mortos, deparei-me com reflexões essenciais, reflexões eu comigo, tu contigo, nós conosco, de nossas bisavós e bisavôs… E além, de voz e vozes de tempos imemoriais.
Pode-se dizer que o poeta questiona, além de sua própria existência, a futilidade da vida. A falta de sentido por ele destacada ao deparar-se com “os insignificantes resultados das coisas, das pesadas e sórdidas multidões que vejo ao meu redor”. “Ó eu, ó vida, o que há de bom em tudo isso?
Oh poeta! E se estivesses, hoje, aqui a presenciar a insana busca por maldades, as guerras e tantas outras atrocidades, o abandono dos sentimentos de humanidade em nome de um sucesso obsceno na busca por poder, glamour, consumo de bens e/ou pessoas e visibilidade.
É nessa visualização da tragicomédia de nossa época, onde o dedo do ambicioso psicótico idolatrado está sempre apontado para o possível desafeto ou rival na disputa pelas posses e poderes cobiçados, que a reflexão do poeta lança Luz, o bálsamo. É a voz da poesia, ou alma, acordando as manhãs e colorindo o mundo obscuro com setas flexíveis e seguras.
O que há de bom em tudo isso, nesse cenário triste e desolador? “O bom é que estás aqui, a vida existe e perdura”, apesar das agruras e das tristes figuras, estás aqui. “E você pode contribuir com um verso? Qual seria o seu verso?”