O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub escreveu, com louvor, uma página degradante na história dos exercentes do mais alto cargo do Ministério da Educação da República Federativa do Brasil. Com mestrado em administração e docente da Universidade Federal de São Paulo gerou uma expectativa positiva quando de sua nomeação. Trazia em seu currículo, também, a experiência de mais de 20 anos como executivo do Banco Votorantim. Contudo, o exercício do poder revelou sua estética canhestra, capaz de produzir na opinião pública, na crítica e nos adversários, de impropérios impublicáveis a avaliações nada louváveis para quem chega no topo da vida executiva pública.
Weintraub conseguiu ser pior em tudo: no uso incorreto do vernáculo, na tomada de decisões e no comportamento como executivo público do mais alto escalão. Na gramática, tal qual um bêbado, tropeçava com frequência, até nos curtos textos do twitter. Na tomada de decisões fazia sempre gols contra ao adotar posturas radicais, que iam de cortes de verbas à eliminação de políticas públicas inclusivas na educação, atraindo, com isso, a ira de professores e estudantes. Finalmente, na compostura político-social, agia como um militante político carregador de bandeira, encarregado de proferir as mais graves ofensas aos adversários, sem qualquer critério ético. Era a vergonha alheia do que se espera de um ministro de estado.
Jacques Racière, filósofo francês, afirma que a política é essencialmente estética: “é uma estética que recorta tempo e espaço, o visível e o invisível, a palavra e o ruído, com o intuito de definir a arena e o jogo da política como configuração da experiência”. No caso de Weintraub, na sua experiência política, viceja a estética da grosseria, da rudeza, do atropelamento do processo histórico, da negação da civilidade, da conquista da hegemonia pela brutalidade rasa em pleno século XXI. Não foi à toa que Inácio de Loyola Brandão o caracterizou como “um ministro da educação sem educação, grosso, horrendo e nojento”. O Colunista Demétrio Magnoli como “um seguidor inculto de Olavo de Carvalho”. O presidente da Câmara Rodrigo Maia o classificou como um “desqualificado”, “desastre” e que “traduzia a bandeira do ódio”.
O exercício do poder, de fato, tem um conteúdo estético considerável, revela o real propósito do homem, em sua dimensão individual, ou do grupo, na representação coletiva. No filme “O Exercício do Poder” do diretor Pierre Scholler, o protagonista traz a narrativa de como a vida política devora, sem piedade, quem nela se envolve. Weintraub é essa caricatura, o escarro dessa realidade. Um homem consumido pela estética do ódio, da grosseria e da rudeza, como instrumentos retóricos de sua estúpida visão de mundo.
Por trás dessa estética horrível, como se isso não fosse suficiente para derrubar o homem político em sua experiência histórica, ainda havia o flerte aberto com o puxa-saquismo execrável, que como um caminhão sem freios premoniza grandes danos. Weintraub praticava tudo isso com o propósito secundário de agradar o chefe para vê-lo feliz, a fim de que ele, o presidente, pudesse, na alegoria macabra, disparar de sua poltrona presidencial, a arma imaginária que ostenta, acompanhada de seu sorriso fantamasgórico, imitado por seus asseclas, que aterroriza os adversários, como visão lúgubre do triunfo do ódio. Weintraub agora é um fantasma fugidio que pulou, se arranhando, pela janela do poder e caiu na terra do Tio Sam, onde há uma estética semelhante. Tudo em harmonia, portanto!
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)