No tabuleiro global das relações geopolíticas internacionais, onde cada movimento estratégico pode desencadear uma série de consequências imprevisíveis, a possibilidade de um conflito armado entre Israel e Irã emerge como uma ameaça sombria não apenas para o Oriente Médio, mas para o mundo inteiro. Apesar da distância geográfica, o Brasil não está imune às ondas de choque que podem surgir de tal ameaça. Como disse o filósofo francês Voltaire: “A guerra é uma doença que se espalha como uma praga”. Afinal, no mundo do mundo, o impacto de uma guerra desta envergadura se espalhará pelo mundo com a velocidade e intensidade da doença e com consequências imprevisíveis.
O primeiro e mais imediato resultado para o Brasil é o impacto econômico. Os mercados petrolíferos, famosos pela sua incerteza geopolítica, assistirão a uma grande crise impactando diretamente a economia brasileira e consequentemente promovendo aumento da inflação. O conflito com o Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, aumentará inevitavelmente o preço do petróleo. Para o Brasil, isso não significa apenas um aumento no custo de vida da população brasileira, mas um duro golpe para setores importantes da economia, como transportes, agricultura e produção de alimentos.
Além disso, as exportações do Brasil poderão sofrer muito. O Oriente Médio é um importante mercado para os produtos agrícolas brasileiros, especialmente carnes e grãos. O conflito na região não só destruirá estas rotas comerciais, mas também levará a uma recessão global, reduzindo a procura de produtos brasileiros em todo o mundo. Mesmo sem uma bola de cristal, pode-se prever que a situação econômica resultante será difícil.
A recente trajetória da diplomacia brasileira tem gerado inquietações profundas, especialmente no que diz respeito à escolha de aliados e à postura adotada em fóruns internacionais. A guinada estratégica do Brasil em direção a regimes autoritários, como China, Rússia e Irã, e o consequente distanciamento de democracias consolidadas, como Estados Unidos, Reino Unido, Israel e Ucrânia, sinalizam não apenas uma mudança de postura política, mas também um alinhamento preocupante que pode ter repercussões graves em cenários de conflito global.
A proximidade com esses regimes levanta questionamentos éticos e estratégicos. Ao se aproximar de ditaduras como a da China, que censura seus cidadãos e cerceia liberdades básicas, ou da Rússia, cujo autoritarismo se manifesta brutalmente na invasão da Ucrânia, o Brasil parece estar desprezando valores fundamentais de direitos humanos e de respeito à soberania. Em vez de manter uma postura equilibrada, o governo brasileiro tem demonstrado uma inclinação a ignorar as violações cometidas por esses regimes, ao mesmo tempo em que critica vigorosamente países que tradicionalmente têm sido parceiros históricos, como Israel e os Estados Unidos.
A fala de Lula na ONU, em setembro de 2024, é um exemplo claro dessa contradição. Em sua crítica a Israel, ele ignorou a complexidade do conflito no Oriente Médio e não mencionou as agressões do Hamas e outros grupos terroristas que colocam civis israelenses em perigo constante. Essa crítica seletiva contrasta com seu silêncio em relação a regimes como o da Venezuela, onde Nicolás Maduro perpetua uma ditadura marcada por opressão, miséria e migração em massa. O Brasil, que outrora se posicionava como um defensor da democracia na América Latina, agora fecha os olhos para as atrocidades cometidas por seus novos aliados.
Esse alinhamento geopolítico também traz riscos práticos. Em um eventual conflito global, como uma escalada das tensões entre os blocos liderados por potências autoritárias e democracias ocidentais, o Brasil pode se encontrar em uma posição extremamente vulnerável. A dependência econômica do Brasil de países como China e Rússia pode ser interpretada como uma fraqueza estratégica. Em uma guerra de proporções globais, o Brasil se verá forçado a tomar lados, e essa aproximação com regimes autoritários pode custar caro, tanto em termos de sanções internacionais quanto em termos de isolamento político e econômico.
George Orwell, em sua obra clássica 1984, advertiu sobre o perigo de alianças baseadas em mentiras e autoritarismo: “A liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. Se isso for concedido, todo o resto vem por si.” Ao se aliar a regimes que distorcem verdades fundamentais e suprimem as liberdades individuais, o Brasil está, de certo modo, negando a própria liberdade de seguir princípios democráticos. Esse distanciamento das democracias ocidentais coloca em risco nossa capacidade de agir com autonomia e assertividade em questões globais.
Ao olhar para as consequências dessas alianças, deve-se também considerar o impacto na relação com nações que sempre foram parceiras estratégicas, como os Estados Unidos e o Reino Unido. Historicamente, essas nações têm oferecido apoio econômico, militar e tecnológico ao Brasil. O afastamento dessas potências, em troca de uma aproximação com países que frequentemente estão no centro de tensões geopolíticas, pode ser um erro com implicações duradouras para a segurança nacional.
Como disse o filósofo britânico Edmund Burke, “o único requisito para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada.” O Brasil, ao não se posicionar de forma crítica em relação a regimes ditatoriais, está se omitindo de uma responsabilidade histórica de lutar pelo bem, pela liberdade e pela democracia. E, nessa omissão, pode estar traçando um caminho perigoso para o seu futuro no cenário global.
A história mostra que alianças frágeis com regimes autoritários são voláteis e podem custar caro em tempos de guerra ou crise internacional. Se o Brasil continuar a se afastar de seus antigos parceiros democráticos e se alinhar com ditaduras, pode se ver isolado no momento em que mais precisar de apoio. A diplomacia, quando mal orientada, pode levar uma nação a ruínas, e o Brasil parece estar flertando com esse destino ao subordinar sua política externa a interesses de regimes autoritários, enquanto negligencia alianças construídas sobre valores compartilhados de liberdade e respeito à lei internacional.
Essa situação será um risco e uma oportunidade para a marca brasileira. Por um lado, o reforço da posição corre o risco de alienar parceiros comerciais importantes. Por outro lado, uma arbitragem bem-sucedida poderia impulsionar a posição do Brasil no cenário mundial e fortalecer sua posição como ator global.
O impacto social de tal guerra no Brasil não pode ser ignorado. O Brasil tem uma grande comunidade judaica, árabe e muçulmana. Os problemas históricos do Oriente Médio intensificarão as tensões entre estes grupos e desafiarão a unidade do país. As autoridades brasileiras devem agir com cautela e vigor para evitar que as situações posteriores do conflito se manifestem na forma de intolerância ou violência em seu território.
Além disso, uma guerra entre Israel e o Irã causará uma nova onda de refugiados que procuram refúgio em países distantes do conflito. O Brasil, com sua cultura de acolhimento de refugiados e políticas relativamente abertas, é um destino atraente para muitas pessoas. Isto exigirá uma resposta humanitária e testará a capacidade dos países para acomodar um grande número de pessoas deslocadas.
No campo da segurança, o Brasil deve aumentar sua vigilância contra o terrorismo. Embora o país não tenha sido um alvo importante para grupos extremistas, um conflito como este mudou a situação. À medida que aumenta a necessidade de proteger infraestruturas críticas e grandes eventos públicos, é necessário um investimento significativo em informação e segurança. É importante também considerar o impacto psicológico e cultural global dos conflitos de longa distância.
Num mundo hiperconectado, imagens e relatos de guerra chegam aos lares brasileiros em tempo real, influenciando a opinião pública e possivelmente mudando as percepções sobre o lugar do país no mundo. Pode haver um debate nacional sobre o papel do Brasil nas relações internacionais e suas responsabilidades como potência emergente.
Apesar da distância geográfica, um possível conflito entre Israel e o Irã terá grandes efeitos no Brasil. Economicamente, diplomaticamente e socialmente, o país enfrenta o desafio de navegar em águas desconhecidas, testando a sua resiliência, adaptabilidade e visão para o futuro. Como nação, o Brasil enfrenta escolhas difíceis que poderão determinar o seu destino nas próximas décadas.
Nesta situação difícil e instável, pode haver alguma sabedoria nas palavras do filósofo e escritor Albert Camus. “A paz é a única guerra que vale a pena travar.” Para o Brasil, esta luta pela paz começa com uma compreensão mais profunda do impacto global de conflitos aparentemente distantes e uma determinação de assumir um papel ativo na busca de um mundo estável e pacífico