O tema escolhido para a nossa reflexão foi, “Ancestralidade e Resistência”. O encontro aconteceu do dia dezessete a vinte e cinco (25) de novembro, na sede da UNA. O ápice do encontro foi a conhecida Celebração dos Quilombos. As pessoas chamam de “Missa” dos Quilombos e não é uma Missa. Na verdade, é ato celebrativo que congrega também as religiões de Matriz Africana.
Apesar das dificuldades e as questões burocráticas dos órgãos públicos, quarenta comunidades e grupos participaram do evento. O dia mais é esperado pelo povo, é o dia vinte, dedicado a Zumbi dos Palmares.
A tradição do Encontro dos Tambores é tradição e deve ser apoiado por todos. Entretanto a organização precisa se articular e se profissionalizar. Depois de vinte e seis anos, não podemos mais agir de forma amadora. As próprias comunidades precisam se conscientizar de que o encontro quem celebra somos nós.
Entretanto a comunidade vai para assistir um espetáculo. Costumo dizer que a Celebração dos Quilombos é uma “ópera negra”. Ali entre o suor, o colorido das saias, das blusas, calças e camisas, de todas as cores e matizes, num rodopiar de prazer, como se estivéssemos todos incorporados nos deuses africanos, somos tomados pela ancestralidade, ao som dos tambores e caixas, entoamos nossos lamentos, dores e resistências e em suplica, louvores, benditos e axé elevamos nossas preces e gratidão denunciamos todo racismo e negação da vida. Anunciamos o reino e denunciamos a intolerância.
“Aonde tu vais rapaz, nestes caminhos sozinhos. Eu vou fazer a minha morada, lá nos campos do Laguinho”. E assim mar a baixo, mar acima a tradição ancestral do Marabaixo, nossa maior tradição e cultura, se perpetua na vida e na memória. Marabaixo é Patrimônio Imaterial do Brasil.
“Ó rosa branca açucena ó lê lê. Case com a moça morena ô lé lé”. E nos versos, poesias e melodias as comunidades relembraram os Mestres e Mestras que escreveram a história da cultura do Amapá.
Por sua vez os atores principais da Semana Nacional do Zumbi dos Palmares, nós que fazemos parte do movimento negro do Amapá e todos que amam o Marabaixo, precisamos entender que o nosso encontro, não pode se resumir a festas, celebrações e rodas de Marabaixo
É uma necessidade repensar e assumir nosso compromisso com a história. Muitos negras e negros, não aceitam que se faça um discurso crítico e de resistência. Muito querem só festa. Assim o poder público dará aval para os futuros encontros. A luta contra o racismo e, portanto, a luta pela transformação social, passa necessariamente pela luta contra o racismo na sua dimensão estrutural”, o que requer, além de abrir mão de privilégios previamente estabelecidos, mudanças nas relações econômicas, políticas e culturais. É necessário que as instituições públicas assumam políticas efetivas de reparação histórica por anos de violações estruturais e estruturantes do atual modelo econômico.