Gente que se encontra nas brumas do passado, um tanto esquecidos como os pernambucanos, Leão Dourado, Cabugá, Abreu e Lima (não a petista refinaria, mas o padre Roma), e poderia dizer também o mineiro Tiradentes, mas direi sim os Inconfidentes como uma turma cheia de ideias, embora saibamos que mexer em bolso de mineiro dá confusão, e bem por isso ao aparecer os quintos dos infernos, só mesmo liberdade, ainda que tardia.
Mas, existem autênticas e discutidas controvérsias. Seria mesmo o Brasil a cortar os laços com os lusitanos, ou eles que se livraram de nós? Discussão da boa, desde o princípio de tudo onde Portugal assumira uma colossal responsabilidade de difícil solução?
Trinta anos depois do seu Cabral, chegaram para colonizar, Martin Afonso na cabeça, pelo menos assim disseram. Porém logo se viu que se dependesse da Santa Terrinha a produção de gente para ocupar o gigante seria limitada. Talvez nem tanto pelos homens, mas as senhoras portuguesas refugavam destes afazeres e ainda demonstravam não ter nenhuma disposição em vir para cá naqueles oscilantes barquinhos sem banheiros, privada e ou bidê, do qual toda manhã teriam que esvaziar penicos ao mar pelas bordas. Um problema. Até os homens não tinham muito boa vontade, afinal só o Rei ganhava com a zorra toda.
Apesar de alguns acharem que os portugueses não são lá muito inteligentes, a história brasileira tem mostrado o contrário. Políticos e administradores para colônia imediatamente resolveram a pane da procriação; se lá a fábrica não supriria, seria o caso então de montar uma “indústria local”.
Baixaram então um decreto pombalino (Marques de Pombal) que determinava pagar oitenta cruzados/ano àquele que se casasse com indígenas, principalmente na Amazônia, até então maior parte da Espanha. Foi uma esbórnia, mais de cem mil uniões com boas relações sexuais em um ano. Quase que o ouro mineiro que daqui ia para o rei, voltava para luxúria dos lençóis que miscigenava brancos e índios e nos entregava solidamente a Amazônia. Inclusive, muitas etnias indígenas se acabaram sem atos guerreiros de bravura, muito pelo contrário, na rede e na cama, com pênis e vaginas. Ficara criado desde então o exemplo Bolsão Família.
Ninguém pensa muito nisso, mas o preço foi esse. E comprovando o que digo, de tal ânsia fabril de humanos para ocupação do solo pátrio, bom relembrar o caso de um padre comedor baiano que foi condenado em nossas leis por exagerada bigamia, e que gerou uma produção de 72 filhos. Lascado perante as cortes da colônia, recorreu instância mais alta, a figura do Rei, STF de então, e foi absolvido. A própria sentença descaradamente dizia: – “precisamos mesmo de tais reprodutores, são um mal necessário que o Brasil precisa, e deixem o homem continuar a rezar missa”.
Mais ainda, com tal “ânsia inocente”, incentivaram bastante a vinda não só de escravos masculinos, mas também mulheres que trariam os tão necessários úteros, o que pôde concorrer para esta grande salada multirracial indolente, mas feliz, que nós chamamos de brasileiros, dispensado o tal barco europeu argentino, somos mesmo da cama e da selva. De onde advém nosso orgulho em ser o que somos.
Também não se sabe muito por que a responsabilidade paterna como dantes desaparece perante suas responsabilidades que deveriam ser do tamanho da prole que seus membros viris constituíram. Comportamento esse, até nossos dias em boa maioria. Engravidou, o Estado que cuide do pré-natal, do natal, do pós-natal, da creche, da saúde e remédios, da escola e chega se ao enterro da alma beneficiada. Nação bem diferente a nossa, cujo povo é muito mais importante que ela própria, não sendo deixando espaços aos pouco notados “interesses nacionais”; se aqui existem… Somos de uma singularidade multi racial sem sermos Pátria. Pátria só do futebol, quando a Corte Suprema não proíbe.
Mas, lições ficaram e nos ajudam muito ao sentimento de razão a entender a própria cultura do país em que vivemos. Afinal a tão necessária educação e evolução social que até os patrícios possuíam, ficou postergada, e ninguém pensara nela ou em sua necessidade.
Curiosamente nestes duzentos anos, este país se manteve unido e ninguém sabe nem por que, e é mesmo incrível que cada Estado nele federado (de mentira ou no abstrato constitucional), conserve seus hábitos, culturas e até alimentação completamente diferentes um dos outros.
Também fica comprovado, o que foi feito na cama, torna difícil dela sair. E ainda vem de lá nosso hino que já começa reafirmando “deitado em berço esplêndido”.