Numa mensagem desses grupos de conversa de aplicativo bem famoso, li algo como equiparar a vida de bichano a de adolescente. Pasmem! Retornei, reli. Era aquilo mesmo. A remetente dizia ter tolerância zero a quem matasse gato de rua, autor de peripécias e delitos. Completou ela: ninguém mata adolescente que comete infrações de conduta, nessa comunidade, qual o motivo de matar felinos?
Respirei fundo, bem fundo. Calculei erro de estação. Deveria ter compreendido o que compreendi? Quando e por qual motivo estaria em pé de igualdade o humano e o bichano? A exposição de motivos da defensora dos quadrupedes peludinhos e fofinhos conduzia a entender ser cabível e aceitável a conclusão: se o animal faz algo e merece ser punido, em igual medida, o adolescente também. Num sopro de descompassado humor, soltou: “ninguém fala em matar esses adolescentes que andam acima de 30 km/h, aqui”.
Chateação não senti, mas posso confessar cinco minutos de indignação. Seria mais um novo paradigma de valor considerar aos animais de estimação apreço maior do que aos próprios filhos? Comecei por aí. Depois ensejei outra linha racional. Pode a defensora dos mamíferos de olhos belos ter-se afeiçoado com experiencias passadas e suas lembranças e crenças relativas aos homens de menor idade não ter sido tão benevolente assim.
Logo, nesse fio de razão, brilhou minha aceitação: memórias implícitas. Por certo, aquela cidadã, cheia de bons motivos, automaticamente, apregoou alguns condicionamentos automáticos, reflexos e condicionamentos, que mal percebeu. Somados ao modo de racionalidade utilizado, via-se plena falha entre proposição e conclusão. Em um único contra-ataque, a retratação ocorreu e ela nem percebeu. Era a “intolerância do bem”, apregoada por ela, que eu ansiei entender.
Tempos depois, coisa de algumas horas, li outra notícia que dizia sobre “movimentos ilegais” investigados e processados pela corte suprema, por configurarem ações antidemocráticas, contra alguns ministros daqui, nos Estados Unidos da América. Fui novamente ao limbo das minhas distinções. Quem sabe são, aquelas autoridades, anjos guardiões do povo, que bravamente lutam pela liberdade individual dos brasileiros indefesos? Talvez eu tenha vivido pouco e experienciado menos ainda.
Naquele instante, outra viagem: liberdade, democracia, direito de ir e vir, enfim, direitos de primeira geração, individuais, acordados pós-revolução Francesa. Imaginei homens sangrando e articulando um novo significado à vida humana. Não cabia a eles gritar em redes sociais. Foram à guerra por um novo sentido real de mundo.
As situações de estresse, medo, ansiedade e susceptibilidade daquele século, por evidente, não residia em fazer o L ou usar verde e amarelo. Havia muito em jogo. As avaliações de diferentes opções do cenário histórico eram muito insuficientes: lute ou morra. Em séculos antes, o processo cognitivo decisório tinha consequências avassaladoras: os omissos feneciam, os demais lutavam.
O “novo sentir”, o “novo falar”, o “novo se posicionar” naquelas sociedades eram bem parametrizados à análise de estados externos, fora da mente falante. Por mais tentador que fosse ser guiado por aquela voz incessante, os antepassados necessitavam deliberar conscientemente ou a humanidade sucumbia.
Apesar de marcados por tantos quantos momentos de grande dimensão e transformação sociocultural, as populações deparam-se, hoje, com algo novo: cada mente uma sentença fugaz, mas de longo alcance. “Tudo é novo”. Nada é questionado. A dicotomia bem versus mal: intolerância do bem contra intolerância do mal; ódio do bem em oposição a ódio do mal; manifestação de opinião do bem e propagação de fake News. E não para por aí: protestos democráticos e atos antidemocráticos.
O novo assombra. Que tempos vêm por aí? Tudo o que fora transcrito na Constituinte tem novo significado de novo e de novo. Sob rito exigido pela Lei Maior? Nada! Sob nova direção e ponto. O novo, repito, é a tendencia dos poderes.
Metáforas, induções, deduções sempre foram perigosas, contudo, são mortais em bocas descomprometidas com a Nação. Começa pela comunidade, onde gato e gente têm mesmíssimo valor. Passa-se a âmbito nacional, pelo qual manifestantes tomam rótulo de desordeiros. Chega-se a nível internacional, quando se cogita criminalizar verbalização de indignação de brasileiros a grandes chefias de alguns tribunais.
Conforme o novo se instala, o antigo, testado e consagrado, deixa de ser base ou fundamento. Entretanto, qualquer ideia ou construção sem forte fundação desaba na cabeça de todos, dos defensores e dos contestadores de novo e de novo…
Respirei fundo, bem fundo. Calculei erro de estação. Deveria ter compreendido o que compreendi? Quando e por qual motivo estaria em pé de igualdade o humano e o bichano? A exposição de motivos da defensora dos quadrupedes peludinhos e fofinhos conduzia a entender ser cabível e aceitável a conclusão: se o animal faz algo e merece ser punido, em igual medida, o adolescente também. Num sopro de descompassado humor, soltou: “ninguém fala em matar esses adolescentes que andam acima de 30 km/h, aqui”.
Chateação não senti, mas posso confessar cinco minutos de indignação. Seria mais um novo paradigma de valor considerar aos animais de estimação apreço maior do que aos próprios filhos? Comecei por aí. Depois ensejei outra linha racional. Pode a defensora dos mamíferos de olhos belos ter-se afeiçoado com experiencias passadas e suas lembranças e crenças relativas aos homens de menor idade não ter sido tão benevolente assim.
Logo, nesse fio de razão, brilhou minha aceitação: memórias implícitas. Por certo, aquela cidadã, cheia de bons motivos, automaticamente, apregoou alguns condicionamentos automáticos, reflexos e condicionamentos, que mal percebeu. Somados ao modo de racionalidade utilizado, via-se plena falha entre proposição e conclusão. Em um único contra-ataque, a retratação ocorreu e ela nem percebeu. Era a “intolerância do bem”, apregoada por ela, que eu ansiei entender.
Tempos depois, coisa de algumas horas, li outra notícia que dizia sobre “movimentos ilegais” investigados e processados pela corte suprema, por configurarem ações antidemocráticas, contra alguns ministros daqui, nos Estados Unidos da América. Fui novamente ao limbo das minhas distinções. Quem sabe são, aquelas autoridades, anjos guardiões do povo, que bravamente lutam pela liberdade individual dos brasileiros indefesos? Talvez eu tenha vivido pouco e experienciado menos ainda.
Naquele instante, outra viagem: liberdade, democracia, direito de ir e vir, enfim, direitos de primeira geração, individuais, acordados pós-revolução Francesa. Imaginei homens sangrando e articulando um novo significado à vida humana. Não cabia a eles gritar em redes sociais. Foram à guerra por um novo sentido real de mundo.
As situações de estresse, medo, ansiedade e susceptibilidade daquele século, por evidente, não residia em fazer o L ou usar verde e amarelo. Havia muito em jogo. As avaliações de diferentes opções do cenário histórico eram muito insuficientes: lute ou morra. Em séculos antes, o processo cognitivo decisório tinha consequências avassaladoras: os omissos feneciam, os demais lutavam.
O “novo sentir”, o “novo falar”, o “novo se posicionar” naquelas sociedades eram bem parametrizados à análise de estados externos, fora da mente falante. Por mais tentador que fosse ser guiado por aquela voz incessante, os antepassados necessitavam deliberar conscientemente ou a humanidade sucumbia.
Apesar de marcados por tantos quantos momentos de grande dimensão e transformação sociocultural, as populações deparam-se, hoje, com algo novo: cada mente uma sentença fugaz, mas de longo alcance. “Tudo é novo”. Nada é questionado. A dicotomia bem versus mal: intolerância do bem contra intolerância do mal; ódio do bem em oposição a ódio do mal; manifestação de opinião do bem e propagação de fake News. E não para por aí: protestos democráticos e atos antidemocráticos.
O novo assombra. Que tempos vêm por aí? Tudo o que fora transcrito na Constituinte tem novo significado de novo e de novo. Sob rito exigido pela Lei Maior? Nada! Sob nova direção e ponto. O novo, repito, é a tendencia dos poderes.
Metáforas, induções, deduções sempre foram perigosas, contudo, são mortais em bocas descomprometidas com a Nação. Começa pela comunidade, onde gato e gente têm mesmíssimo valor. Passa-se a âmbito nacional, pelo qual manifestantes tomam rótulo de desordeiros. Chega-se a nível internacional, quando se cogita criminalizar verbalização de indignação de brasileiros a grandes chefias de alguns tribunais.
Conforme o novo se instala, o antigo, testado e consagrado, deixa de ser base ou fundamento. Entretanto, qualquer ideia ou construção sem forte fundação desaba na cabeça de todos, dos defensores e dos contestadores de novo e de novo…