O conteúdo de um mandato político, entendido como o conjunto de ações de um governante durante um determinado lapso temporal, integra a estrutura política de um povo. O emaranhado de ações de um detentor de mandato será sempre o objeto de análise do corpo social para aferir se o delegatário agiu bem ou mal no exercício dos poderes que recebeu de seus concidadãos. O novo Hospital de emergências Dr. Osvaldo Cruz é um objeto de análise do mandato do governador Clécio que se pressupõe histórico. A grandiosidade do empreendimento social é para uma reflexão profunda. O desafio encarado ocupa a mente até dos céticos ou pessimistas, afinal, não se trata de um paliativo, mas de uma solução para a área de saúde.
O novo hospital de emergência terá 160 leitos de internação, 20 leitos na UCI, 10 leitos de terapia intensiva, 20 leitos da unidade de tratamento de queimados, 02 salas média de cirurgia, 04 salas grandes de cirurgia multespecialidades, 07 leitos de recuperação anestésica, dentre outros espaços de um mega hospital. Só isso já justificaria aplaudir a ousadia do atual mandatário do setentrião. Contudo, o mais importante desse gesto de grandiosidade de gestão, foi superar as máximas políticas que asseguram que investimento na educação e saúde não se traduzem em construção de ativos políticos, ou seja, não produzem votos para manutenção do poder.
Historicamente, os investimentos na saúde só chegam pelas urgências sociais, jamais como pauta de um projeto de governo. É que na saúde não basta construir prédios, é necessário investir em recursos humanos e tecnologia e isso é caro demais. Diante desse grave entrave os governantes preferem as medidas paliativas a buscar as soluções corretas e imprescindíveis para esse importante dever estatal. O governador Clécio rompe esse obstáculo e ousa agir onde a maturidade política, que só visualiza os resultados, asfixia esse tipo de tomada de decisão. Não há como acutilar esse tipo de conduta que visa o bem social sem ferir os próprios pressupostos de um mandato político.
Só o fato de o governador tomar a decisão de colocar a precariedade da saúde como agenda de gestão já merece um caloroso aplauso. Agora, enfrentar o desafio de sair da mentalidade de um território federal para um projeto de novo estado é, realmente, revolucionário. Escrever essa história provoca, como já se disse, os céticos e pessimistas. Eles bradarão que não dará certo uma atitude de tamanha ousadia. Diante da inércia histórica irão ressaltar a inviabilidade de um ato provocador. Poucos, na verdade, sustentam a voz do otimismo e da certeza nesse ato do atual governo. Contudo, mesmo os recalcitrantes, haverão de aplaudir esse passo grandioso para a solução de problema histórico. Disso, é certeza, não há como se esquivar!