Poema em homenagem a minha mãe, que amava flores, mas amava ainda mais as rosas, e com quem aprendi a ser jardineira de todas as estações.
Quando irão florir as rosas?
Rosas rubras escandalosas sobre os canteiros cobertos por inteiro de geada, branca geada galhofeira em terras de minuano com neves ocasionais.
Quando irão florir as rosas?
Rosas amarelas, douradas qual medalhas, em tons e semitons, reflexos de bons afetos, de amores discretos, belos e delicados, eternos e seletos. Eternos de tão intensos e cravados nos corações dos aldeões, escritores e poetas de todas as dimensões.
Quando irão florir as rosas?
As rosas róseas das manhãs em ecos de chuvas de floradas sobre os caminhos, os estrados, as pérgulas… ou aquelas isoladas emergindo de um botão, qual um cântico em explosão, a dominar os espaços nos cantões e nos terraços.
Quando irão florir as rosas?
As rosas brancas… Rosas lívidas de susto, diante dos insultos dos espinhos cortantes, ou de encanto, pelo pranto dos espinhos guardiões, derramam perfume sobre a flor e o estrume sem fazer objeções a rodopiar na aragem ou entre folhagens até terrosa acoplagem.
Quando irão florir as rosas?
Rosas de todas as cores com tantas nuances de tons que só pode ser uma criação mágica virgulando-se em suas pétalas lisas ou encrespadas com geometrias cíclicas ou espiraladas a polinizar meu olhar com sonhos roubados de beija-flores alados.