Steve Bannon é um estrategista político americano e ex-assessor da Casa Branca, amplamente reconhecido por seu papel preponderante na campanha presidencial de Donald Trump em 2016, marcado por um marketing político intensamente agressivo. Atuando como conselheiro-chefe e estrategista sênior durante os primeiros meses do governo Trump, Bannon desempenhou um papel crucial na formulação de políticas e na condução da estratégia de comunicação da Casa Branca. No entanto, ele deixou o cargo em agosto de 2017, em meio a crescentes tensões internas e controvérsias acerca de sua considerável influência no governo.
A ascensão de Bannon como uma figura pública de destaque ocorreu em 2012, quando assumiu a direção do Breitbart News. Sob sua liderança, o Breitbart emergiu como um dos principais veículos de comunicação alinhados ao movimento “alt-right”, uma vertente da direita política que advoga por posições nacionalistas, populistas e, frequentemente, polêmicas em relação a questões de raça e imigração. A abordagem de Bannon, caracterizada por uma retórica agressiva e combativa, transformou o Breitbart em uma plataforma essencial para vozes conservadoras, especialmente aquelas que se sentiam marginalizadas pelo establishment político e pela mídia convencional.
A expertise de Bannon tem agora orientado políticos insurgentes em diversas partes do mundo, notadamente no Brasil, onde figuras públicas, muitas vezes desprovidas de conteúdo político substantivo e propostas coerentes, adotaram uma postura confrontacional e vulgar para atacar adversários com discursos agressivos e comportamentos inaceitáveis. Desde a ascensão de Jair Bolsonaro, multiplicaram-se os exemplos de candidatos tanto para cargos majoritários quanto proporcionais que se valeram das estratégias de Bannon para alcançar o sucesso eleitoral. A ausência de limites éticos em suas campanhas tornou-se uma marca registrada, e quanto mais extremado e agressivo o tom, maior parece ser o impacto positivo nas urnas, resultando em vitórias políticas anteriormente impensáveis. A prática de proferir absurdos de maneira estratégica consolidou-se como um modus operandi eficaz no cenário político atual.
Recentemente, o candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal, deu início a sua campanha com sinais claros de que iria explorar as estratégias de Bannon exaustivamente. No primeiro debate, Marçal adotou essa abordagem sem qualquer reserva, ignorando princípios éticos e atacando seus adversários de forma incisiva, focando especialmente no candidato Guilherme Boulos, até então o líder nas pesquisas. A estratégia mostrou-se eficaz, resultando em um significativo aumento de popularidade para Marçal refletido nas pesquisas. O impressionante é que essas táticas têm sucesso mesmo em centros desenvolvidos, influenciando eleições em países, estados e municípios. A prevalência da incivilidade, promovida pelo movimento “alt-right” na política, provoca uma reflexão profunda sobre o futuro de nossas representações democráticas. Surge o temor de que cargos executivos e legislativos sejam ocupados por figuras bufônicas e agressivas, desprovidas de preparo intelectual e político, eleitas por um eleitorado que, muitas vezes, ignora a falta de escrúpulos de tais candidatos. Esse cenário, que outrora poderia parecer dantesco, já se manifesta como uma realidade concreta, evidenciando a influência perniciosa dos métodos controversos de Steve Bannon.
As campanhas políticas e a influência de Steve Bannon
